Empresas contratam jovens, mas não conseguem retê-los
Apesar de investirem dezenas de milhares de rublos na adaptação de cada novo contratado, apenas 24% das empresas industriais russas conseguem reter a maioria de seus novatos por mais de um ano. Uma pesquisa da empresa “Potok” aponta que em 43% das fábricas, a responsabilidade pela adaptação é difusa, o que pode explicar a baixa eficácia desses programas.
Conforme o estudo da empresa “Potok”, um terço das companhias industriais russas retém apenas metade dos novos colaboradores que contrata. A pesquisa online envolveu 102 empresas de produção, com 81% dos respondentes sendo profissionais de RH, 12% líderes de departamento, 5% executivos de alto escalão e 2% proprietários de negócios.
Programas de onboarding (adaptação de novos funcionários) estão presentes em 75% das empresas russas, com 18% das que ainda não os possuem planejando implementá-los em um ano. Quase metade das empresas adapta seus profissionais de produção sem ferramentas digitais; 20% combinam abordagens digitais e tradicionais, enquanto 7% migraram totalmente para a adaptação online. Os recursos digitais mais populares para integrar novatos são os aplicativos de mensagens (62%) e portais corporativos (56%). Serviços digitais especializados para adaptação são utilizados por apenas 15% dos fabricantes.
Apenas 13% das empresas conseguiram informar sobre o custo de seus programas de adaptação. Destas, a maioria (9%) destina até 100 mil rublos por novato, 2% das indústrias gastam entre 100 mil e 500 mil rublos, e outros 2% investem mais de 500 mil rublos.
Para 71% dos entrevistados, um mentor é a chave para uma adaptação bem-sucedida. As empresas também notam que a adaptação é mais eficaz com um plano claro (50%), a coleta de feedback (46%) e o uso de práticas adicionais como kits de boas-vindas (40%) e programas de pre-boarding (37%). Em contrapartida, a maior dificuldade, segundo 60% dos gestores, é a falta de tempo dos mentores e da chefia para se dedicar aos novatos. Outros fatores negativos incluem comunicação ineficaz (45%), desconforto psicológico (30%), ausência de feedback e dificuldades em processos tecnológicos (29% cada).
Os respondentes indicaram que em apenas 24% das fábricas quase todos os novatos permanecem por mais de um ano. Em 27% das empresas, cerca de metade dos funcionários (50-80%) é retida, enquanto em 5% menos de 10% dos novatos superam o período de experiência. As razões mais comuns para a saída, segundo as empresas, são a discrepância entre as expectativas e a realidade do cargo (60%), a incapacidade de lidar com o volume de trabalho (43%) e a falta de competência (28%). Outra causa relevante é a dificuldade de se integrar à cultura corporativa (26%).
Apesar dos resultados insatisfatórios do onboarding, em 43% das empresas a responsabilidade pela adaptação dos novatos é indefinida. Cerca de 41% dos participantes da pesquisa consideram-na uma “responsabilidade compartilhada” — envolvendo o mentor, o gestor, o RH e o próprio novato. No entanto, 23% apontam o gestor como figura central, 15% o RH e 11% o mentor.
Com a redução de 1,3 milhão de jovens trabalhadores nos últimos dois anos, a concorrência entre empresas para atrair e reter jovens talentos só tende a crescer, conforme Maria Alekseeva da “Sibur” e Stanislav Sugak. Empresas avançadas já iniciam a captação de jovens especialistas enquanto estes ainda estão em escolas e universidades, oferecendo-lhes a oportunidade de conhecer antecipadamente o ambiente de produção e os valores de um potencial empregador.
