Sete minutos do gênio absoluto de Petrenko, que causam arrepios
Recentemente, o canal OTR exibiu uma série de cinco filmes com a participação de Alexei Petrenko. Foi um verdadeiro presente, uma oportunidade de mergulhar todas as noites na obra deste ator. O que ele fazia na tela não era apenas uma atuação, mas uma vivência profunda, uma experiência e a vida autêntica de cada personagem.

Alexei Petrenko em uma de suas inesquecíveis performances.
Em sua vasta filmografia, há algumas obras verdadeiramente notáveis. Entre elas, o pouco conhecido filme de Dinara Asanova, “Bedá” (A Infelicidade), onde Petrenko criou a imagem de um aldeão alcoólatra brilhante, mas sem esperança. Em seguida, em outro filme de Asanova, “Klyuch bez prava peredachi” (A Chave Sem Direito de Transferência), ele interpretou o diretor de escola — um ex-militar, sem formação universitária, mas com uma ética moral e inteligência inatas.
Depois, veio Pedro, o Grande, imperador da Rússia, no filme de Alexander Mitta “Kak tsar Pyotr arapa zhenil” (Como o Czar Pedro Casou o Negro). Curiosamente, o filme demorou muito para ser exibido devido à participação de Vladimir Vysotsky.
Mas a verdadeira revelação foi o filme de Alexei German “Dvadtsat dney bez voyny” (Vinte Dias Sem Guerra), baseado em Simonov, com Yuri Nikulin no papel principal e a brilhante Lyudmila Gurchenko. O que Alexei Petrenko conseguiu realizar neste filme transcende todas as expectativas. Em apenas sete minutos na tela, em um trem, seu personagem confessa ao personagem de Nikulin sua vida infeliz na guerra, sobre a infidelidade da esposa que ele nunca perdoou. Era tão realista, como se diante de nós não estivesse um ator, mas uma pessoa real daquela época, desnudando sua alma, chorando por dentro. Não era mais atuação, mas uma reviravolta da alma do avesso. E ninguém mais conseguiria fazer isso, ninguém.
E, claro, o papel final — Rasputin no filme “Agoniya” (Agonia). Ele interpretou não apenas Rasputin, mas encarnou uma paixão animal extraordinária. É difícil imaginar como uma pessoa pode penetrar tão profundamente em um personagem. Mas Alexei Vasilyevich Petrenko era um ator único, e ele conseguiu.
Petrenko era um artista elemental, fora de qualquer sistema. Era preciso saber trabalhar com ele, compreender sua essência, sua estrela, sua alma celestial. Dirigir e depois se afastar. “Câmera, ação!”, e então um milagre acontecia. Um milagre de transformação, de viver no quadro até o limite. Isso é o que Alexei Petrenko representava.
