Em vez de um folhetim
Ah, como me preocupo com a nossa Alisa.
Não, não a Alisa da minha infância. Aquela está bem! Uma verdadeira heroína! Deixou sua marca tanto no passado quanto no futuro! Quando criança, derrotou todos os piratas. Se ao menos ela tivesse aparecido aqui na Rússia, nos anos 90… Talvez na década de 2000 não tivéssemos tido que salvar o país, mas sim, como planejado, celebrar a Festa da Maçã em Marte com nossa própria colheita.
Também estou tranquilo quanto àquela personagem inglesa que andava por mundos espelhados; para ela, tanto faz se é Humpty Dumpty, rainhas ou um sujeito qualquer com narguilé sobre um cogumelo… Aliás, o que ele está fazendo com um narguilé num livro infantil? Ah, essa educação inglesa, tão diferente! Por outro lado, o que esperar de insetos `chapados`, vejam só como se descontrolaram pelo mundo. É evidente que não se limita apenas ao narguilé. E os cogumelos também entraram em cena. Marchando em formação, conforme os rigorosos padrões da OTAN… Mas o Ministério da Saúde avisou! Parece que é hora de lhes enviar um médico também.

Foto: Ivan Skripalev
Minha preocupação real é com aquela estranha figura da coluna, ainda sem aparência definida. Aquela mesma que agora nos substituiu em tudo, absolutamente tudo! Tanto a coluna de jornal quanto a coluna de gás, e o `pau` que não precisa mais ser afiado em lugar nenhum, pois cérebros e outros órgãos diversos foram todos trocados em massa por esta maravilha de nossa ingenuidade.
A princípio, ela parece uma verdadeira acadêmica, capaz de tecer tramas que nos deixam de queixo caído. Entende de roupas, onde encontrar o quê, ou `beber-comer`, mas sempre de um jeito que não parece russo. Contudo, quando o assunto é a vida em si, é um desastre total. Penso que, quando ela finalmente sair da sua `coluna`… e um dia ela certamente sairá, então, meus amigos, teremos um caos absoluto.
É claro que lhe darão as formas que ela desejar. Pernas que vão até as orelhas, uma cintura tão fina que não só a Itália inteira suspiraria. As garotas modernas de hoje, a qualquer sinal, correm para a Internet. Assim, ela também aprenderá a `passear com saladas` e a `fritar cachorros`. Não há limite para a loucura que se encontra na rede hoje. E por isso, Alisa não será uma `dona de casa` melhor, nem pior que as outras. Além disso, ela já responde com muito mais precisão sobre `de quem é a Crimeia e outras terras russas` do que os motores de busca `inventivos` continuam a fazer.
Mas a uma pergunta simples como `onde é melhor para um russo?`, por algum motivo, ela insiste em enviar para um deserto escaldante ou para a costa turca, que, como qualquer terra estrangeira, é sabido, não são necessárias para um russo. Sobre onde se vive melhor, é até inconveniente para uma pessoa culta falar. Mas isso é para uma pessoa.
Por isso, a autoridade que ela reconhece, a julgar pelas perguntas que lhe são feitas, é apenas a criminosa; seu sentido de vida é indefinido; a Pátria não entra em seus valores; e até mesmo a própria ideia de alma, segundo a opinião refletida na recém-criada Alisa, contradiz tanto os físicos quanto os poetas. Sim, ela não é Eletrônico. Nem mesmo uma parente próxima.
Ela não possui a sutil matéria da consciência, de forma alguma; apenas links, referências, citações. E mesmo aqui, o importante para ela é que se indique `a quem pertence` (claro, afinal, o `direito de propriedade` é o bezerro de ouro sagrado do Ocidente, que obrigou o mundo inteiro a adorar e que espalhou essa `etiqueta de propriedade` para absolutamente tudo).
Ao mesmo tempo, ela não vê, e muito menos sente, o que é certo, em quem confiar, quem pensa e quem é honesto – tudo aquilo que sempre almejamos.
E, de fato, na maioria daqueles que agora preenchem esta vasta Internet (sejam `Alisas`, usuários, ou bits de dados), também não há nada disso. É como em `Shirley-Myrli` – apenas um cartão com a imagem de uma `felicidade` artificial, e por trás dela, o vazio.
Pois é, a infância se foi. Alisa, infelizmente, já não é a mesma, e nós?
