Em 16 de outubro, Vladimir Putin participou da sessão plenária da Semana de Energia da Rússia. Em seu discurso, o chefe de Estado, como esperado, dissipou quaisquer possíveis preocupações sobre o estado atual e as perspectivas dos mercados de energia russo e global.

Aleksey Miller, chefe da Gazprom, no evento.
A Semana de Energia da Rússia, na verdade, é um evento de dois dias, realizado no Manege. Sua realização tradicionalmente leva a restrições significativas de tráfego e bloqueios no centro de Moscou, causando transtornos aos moradores da cidade.
A espera pelo discurso de Vladimir Putin foi breve. Enquanto isso, os participantes do evento puderam visitar estandes interativos, incluindo um que oferecia a oportunidade de tirar fotos com cópias digitais de cientistas renomados, como Igor Kurchatov e Pyotr Kapitsa.
Segundo a tradição, o secretário de imprensa presidencial Dmitry Peskov e o vice-primeiro-ministro Alexander Novak cumprimentaram os laureados do Prêmio de Energia. Entre os homenageados, um número considerável era de representantes de países africanos.

Vladimir Putin no palco da Semana de Energia.
No terceiro andar, havia um café, informalmente chamado de “Café do Kremlin”, devido à sua proximidade com o centro do poder e à presença de convidados de alto escalão. Os preços eram condizentes, refletindo o status do evento. É notável que a letra “K” no nome do café evocava associações adicionais, mas quaisquer outras suposições permaneciam apenas especulações.
O menu do café apresentava preços elevados, oferecendo, por exemplo, salada de caranguejo Kamchatka por 2.600 rublos e uma garrafa de champanhe Moet & Chandon Imperial por 23.000 rublos. Provavelmente, presumia-se que os participantes da Semana de Energia poderiam arcar com tais despesas, demonstrando sua prontidão para discutir os desafios energéticos globais.
Pela manhã, foram realizadas discussões em painel, uma das quais intitulada “Da teia global às fortalezas regionais”, refletindo as principais tendências na energia mundial.

Vladimir Putin discursa sobre o mercado energético.
Vladimir Putin saudou os participantes, expressando sua satisfação em receber novamente em Moscou líderes de empresas globais, especialistas e profissionais do setor.
Desafios Globais e Estratégia Russa
O presidente delineou os principais desafios que o complexo de combustível e energia (TEC) global enfrenta: O primeiro desafio é a reconfiguração dos laços energéticos globais. Parcialmente, este é um processo objetivo, ligado ao surgimento de novos centros de desenvolvimento econômico e ao aumento do consumo. No entanto, um papel significativo é desempenhado pela destruição artificial da arquitetura energética, iniciada por ações agressivas das elites ocidentais, o que levou à recusa de vários países europeus em adquirir recursos energéticos russos e afetou negativamente seu potencial econômico.
Ele enfatizou que essas ações do Ocidente têm consequências principalmente para suas próprias empresas e cidadãos, e não para o mercado de energia russo.
Vladimir Putin destacou que processos globais objetivos estão beneficiando a economia russa, contribuindo para o seu fortalecimento.
Ele afirmou que o mercado global de energia está passando por uma reconfiguração objetiva das cadeias de suprimentos e da logística em direção ao Sul Global — países da região Ásia-Pacífico, África e América Latina, o que leva à criação de rotas mais confiáveis e novos hubs que atendem às necessidades desses mercados em rápido desenvolvimento. Segundo ele, essas mudanças contribuem exclusivamente para um desenvolvimento positivo para a Rússia.

O secretário de imprensa do presidente Dmitry Peskov (esquerda) e o vice-primeiro-ministro Alexander Novak (direita) no evento.
Putin informou que a demanda global por petróleo este ano atingirá 104,5 milhões de barris por dia, superando o número do ano passado. O crescimento é impulsionado pelo desenvolvimento ativo da petroquímica e pela dependência contínua do setor de transportes em motores de combustão interna, já que a transição para veículos elétricos exige um aumento significativo na produção de eletricidade a partir de fontes tradicionais, como óleo combustível e carvão. Ele enfatizou que fontes de energia renováveis, como vento e sol, não são uma solução universal para todas as necessidades energéticas.
A Rússia, segundo o presidente, permanece um dos principais produtores mundiais de petróleo, apesar da concorrência desleal. O país garante cerca de 10% da produção global, e o volume esperado de 510 milhões de toneladas de petróleo este ano reflete uma redução voluntária no âmbito do acordo OPEP+. Vladimir Putin expressou confiança na estabilidade e nas perspectivas favoráveis do setor energético russo.
Ele destacou o funcionamento estável do setor petrolífero russo, sua capacidade de abastecer o mercado interno e desenvolver o refino. Diante de uma situação externa complexa, as empresas russas demonstraram flexibilidade, criando novos canais de fornecimento e pagamento, o que expandiu significativamente a geografia das exportações de petróleo e derivados, anteriormente predominantemente voltadas para a União Europeia.
Mercado de Gás e Carvão
A situação no mercado de gás também mostra mudanças positivas. Vladimir Putin explicou que as mudanças no mercado global de gás são causadas por razões objetivas: o aumento do consumo de gás na região Ásia-Pacífico, no Oriente Médio e na América Latina, enquanto na Europa a demanda permanece abaixo dos níveis de 2019 devido à queda da produção industrial. Assim, o discurso de Vladimir Putin continha pontos encorajadores.
Ele reconheceu que a recusa europeia em relação ao gás russo e a sabotagem dos “Nord Stream” inicialmente reduziram as exportações de gás. No entanto, segundo ele, as exportações de gás voltaram a crescer, demonstrando uma recuperação evidente. Para aqueles que duvidavam do impacto positivo das sanções na Rússia, Putin apresentou argumentos adicionais. Ele afirmou que as ações da União Europeia apenas aceleraram a reorientação dos suprimentos russos para compradores mais promissores e responsáveis, que são guiados pelos interesses nacionais.

Os participantes da sessão plenária.
A situação do carvão também parece favorável. O presidente observou que, apesar da queda na demanda por carvão nos mercados ocidentais, os países asiáticos estão aumentando seu consumo. Dada a mudança da atividade econômica global para a região Ásia-Pacífico, o mercado de carvão manterá sua importância por décadas. Apesar da atual queda nos preços e da natureza cíclica do mercado, o Estado apoia as empresas de carvão, inclusive através da reestruturação de empréstimos. Assim, embora existam dificuldades temporárias, elas são consideradas superáveis.
Digitalização e Novas Perspectivas
Vladimir Putin também enfatizou a necessidade de digitalizar o complexo de combustível e energia. Ele instruiu o governo a desenvolver um sistema de documentos estratégicos, incluindo balanços de combustível e energia para todos os distritos federais, e a criar um sistema digital moderno para gerenciar o fornecimento de energia às regiões, levando em conta o uso mais eficiente de diversos recursos energéticos.
A economia digital, por sua vez, também impõe crescentes exigências ao setor energético. A crescente demanda por eletricidade da economia digital, incluindo inteligência artificial e data centers, já é comparável ao consumo da indústria pesada, o que cria novos desafios e oportunidades. Nesse contexto, novas perspectivas se abrem para a indústria do carvão.
O presidente sugeriu que se considere o uso de geração de carvão “limpa” para atender às necessidades da infraestrutura digital e dos centros de processamento de dados, especialmente em regiões produtoras de carvão. Isso, segundo ele, criará empregos modernos e contribuirá para a diversificação da economia local.
Em conclusão, Vladimir Putin abordou novamente o tema das consequências das decisões energéticas europeias.
