
Arqueólogos do museu-reserva “Campo de Kulikovo” fizeram uma descoberta significativa na região de Tula, revelando um novo sítio arqueológico – uma cidade fortificada datada de meados do século III d.C. Este período é considerado crucial, pois foi quando os primeiros assentamentos eslavos emergiram na bacia do Alto Oka.
Anteriormente, dois tesouros singulares do século III, repletos de joias de bronze e elementos de vestuário, foram encontrados nas proximidades da antiga cidade de Odoev, também na região de Tula. Essas descobertas serviram de ponto de partida para investigações mais aprofundadas pelos cientistas do “Campo de Kulikovo”, levando a uma série de novas revelações e artefatos.
Estudos arqueológicos subsequentes indicaram que ambos os tesouros estavam escondidos próximos à periferia de um antigo assentamento, dentro da recém-descoberta cidade fortificada.
“Todos os itens exigirão um processo de restauração complexo e demorado. Fragmentos da base de couro dos conjuntos de cintos foram até preservados. A quantidade exata de achados ainda não pode ser determinada, pois muitos são pequenos detalhes coletados durante as escavações,”
– comentou Alexei Vorontsov, secretário científico do museu-reserva “Campo de Kulikovo”.
Os arqueólogos rapidamente perceberam que os artefatos encontrados pertencem a um período de transição em meados do século III d.C., quando a parte central da Rússia Europeia passava por profundas mudanças culturais.
De acordo com Vorontsov, durante esse tempo, a influência sarmática na região do Alto Oka e na bacia hidrográfica Oka-Don gradualmente deu lugar à cultura eslava antiga. As novas descobertas ilustram vividamente essa mudança populacional: parte dos objetos dos tesouros reflete o mundo sarmático que se desvanecia, enquanto outros são característicos da nova população, os portadores da cultura eslava primitiva.
Entre os achados mais notáveis estão os chamados esmaltes entalhados da Europa Oriental. Outro grupo fascinante de artefatos são as finas placas de bronze para cintos, que supostamente adornavam cintos e tiaras da elite da sociedade da época. Essas placas são decoradas com ornamentos e representações esquemáticas de pessoas, animais e, possivelmente, símbolos sagrados.
Tais placas de cinto eram anteriormente conhecidas apenas na região do Alto Oka (incluindo as atuais regiões de Moscou, Kaluga e Tula), indicando uma “moda local” dos séculos III e início do IV. Essas novas descobertas expandem significativamente a base de fontes e, provavelmente, permitirão que o tema seja explorado em profundidade tanto por especialistas quanto pelo público em geral.
Atualmente, os arqueólogos continuam a estudar e restaurar os tesouros encontrados, bem como a processar os resultados das pesquisas realizadas no local da descoberta.
