Artistas ‘Sacodem’ Memórias e Objetos das Avós em Nova Exposição

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No Centro de Arte Contemporânea AZ/ART, está em exibição a segunda parte do festival-intensivo “Algoritmos do Conhecimento”, composto por nove módulos. Atualmente, são apresentados três projetos que buscam oferecer formas de navegação no complexo mundo contemporâneo. A jornada artística começa com a poeira do tempo, um casaco antigo e um batedor de tapetes, culminando em paisagens do Daguestão retratadas em têxteis.

Parece que os renomados artistas Elena Gubanova e Ivan Govorkov, com mais de quarenta anos de colaboração, são vistos pela nova geração de curadores como verdadeiros mestres. Sua trajetória artística é, de fato, impressionante, com participações na Bienal de Veneza, inúmeros projetos em museus e exposições ao redor do globo.

Eles abordam a condição humana sob a ótica do cosmos e da inevitabilidade do fim, no contexto de um “desfile de planetas”. Isso se explica em parte pelo fato de Elena ser filha de um astrônomo, tendo passado a infância no Observatório de Pulkovo. Segundo sua visão, não somos o centro da existência, mas apenas seres humanos que testemunham uma etapa específica da criação. Os visitantes podem se sentar em um sofá para observar o movimento dos astros, projetado em uma tela. Ao lado, um cabide sustenta um casaco velho que, periodicamente, é golpeado por um batedor, espalhando uma poeira simbólica pelo Universo.

Ivan Govorkov atua na arte contemporânea desde o final dos anos 80, ao mesmo tempo em que é professor na Academia de Artes Repin, onde também estudou. Há 45 anos, ele forma futuros restauradores em desenho acadêmico. O novo trabalho de Gubanova e Govorkov, intitulado “Poeira”, conecta a memória pessoal, a rotina da vida e o vasto cosmos.

Alandi Magomedov e seus «Delegados da Paisagem»
Alandi Magomedov e seus «Delegados da Paisagem»
Foto: Svetlana Khokhryakova

O coletivo «Цветы Джонджоли» (Flores de Jonjoli) apresentou o projeto “Breve Geografia Tropical”, que busca reinterpretar o cotidiano do passado recente, trazendo à tona dos guardados das avós objetos diversos, de uniformes de trabalho a vinis antigos. Para os padrões atuais, esses itens poderiam ser vistos como simples entulho.

O título do projeto não se relaciona com zonas climáticas, mas sim com o movimento cultural e político brasileiro “Tropicália”, que surgiu nos anos 60. Naquela época, a sociedade brasileira questionava a própria identidade: “Quem é o verdadeiro brasileiro?”. Os artistas da Tropicália buscaram um caminho próprio, sem se prender à influência europeia ou aos valores tradicionais do país, criando uma fusão de culturas de diversas épocas e povos, a partir da qual, como descrevem os curadores da exposição, “recortaram” sua própria identidade.

«Poeira». Casaco, batedor e estrelas
«Poeira». Casaco, batedor e estrelas
Foto: Svetlana Khokhryakova

O grupo «Jonjoli» adotou essa metodologia. Nas prateleiras de um armário de formato irregular, exibem uma profusão de objetos domésticos e peças de vestuário, tanto úteis quanto inúteis, que provocam sentimentos ambíguos. Os artistas trabalham com a ideia de “memória projetiva”, a capacidade de resgatar imagens marcantes do passado distante e recente para suas próprias finalidades criativas.

O acervo retrô inclui diversas referências a diferentes países e épocas, com acessórios que remetem à cultura doméstica da RDA, Polônia e Estônia dos anos 60 e 70. Para alguns, é algo novo e fascinante; para outros, uma doce recordação nostálgica.

`Kratkaya tropicheskaya geografiya`
`Kratkaya tropicheskaya geografiya`
Foto: Svetlana Khokhryakova

A exposição culmina com «Delegados da Paisagem» do Artista do Povo do Daguestão, Apandi Magomedov. Suas obras, ricas em motivos populares, são transformadas em imagens contemporâneas, nas quais se reconhecem as paisagens daguestanesas. O artista emprega materiais naturais como argila, têxtil e madeira. Para ele, a paisagem não é apenas um cenário, mas um conceito fundamental que gera significado.

O indivíduo moderno tende a focar em si mesmo e em suas ambições, muitas vezes ignorando a beleza e a majestade do mundo natural. Alandi Magomedov defende o oposto. O espírito livre do Daguestão age como oxigênio vital na atmosfera densa e ruidosa da metrópole.

“Artistas costumam ser egocêntricos, falam interminavelmente sobre si e acreditam firmemente na axioma de sua singularidade”, opina o crítico de arte Alexander Dashevsky. “Mas existem criadores que permitem que algo maior se manifeste. Essas pessoas devem ser valorizadas”. Alandi Magomedov pertence a essa categoria.