MOSCOU, 8 de setembro. Especialistas da Universidade Estadual de Tyumen (TyumSU), em colaboração com uma equipe científica, descobriram um aumento significativo no número de microrganismos perigosos em corpos d`água doce. Esses microrganismos representam uma ameaça tanto para peixes quanto para humanos. Os pesquisadores associam esse fenômeno ao aquecimento global, e os resultados de seu trabalho foram publicados na revista Applied and Environmental Microbiology.
Cientistas da TyumSU, juntamente com colegas do Instituto de Biologia de Águas Interiores da Academia Russa de Ciências, constataram que as mudanças climáticas afetam as populações de amebas testáceas, que podem atuar tanto como vetores quanto como agentes causadores de diversas doenças perigosas. A principal razão para essa alteração é o aumento da temperatura ambiente: à medida que a água dos lagos evapora mais intensamente, a concentração de componentes minerais nela aumenta, criando novas condições para a proliferação desses microrganismos.
Olga Zagumennaia, pesquisadora júnior do laboratório AquaBioSafe da TyumSU, explicou: “Nossas investigações revelaram que, com o aumento da temperatura e da mineralização dos ecossistemas de água doce – um resultado natural do aquecimento climático – o risco de introdução e disseminação de amebas testáceas patogênicas, e consequentemente de surtos de doenças, cresce significativamente. Além disso, observa-se um aumento na resistência de bactérias patogênicas à desinfecção devido à sua simbiose com as amebas testáceas.”
Zagumennaia acrescentou que, com o aquecimento climático, há um aumento na quantidade de organismos patogênicos nas regiões do sul. Esses organismos podem causar a doença das brânquias em peixes e participar da transmissão de bactérias Legionella, que são perigosas para humanos e podem provocar pneumonia.
De acordo com Zagumennaia, “lagos em zonas de clima mais quente e seco são caracterizados por uma diversidade, abundância e frequência de ocorrência significativamente maiores de amebas testáceas planctônicas. Entre elas, encontram-se espécies patogênicas para hidrobiontes e humanos, como Rhogostoma e Fisculla.”
Os resultados deste estudo são de grande importância para o desenvolvimento de sistemas de monitoramento ambiental, supervisão da pesca e segurança biológica. Atualmente, essas conclusões podem ser aplicadas a lagos em zonas de floresta-pântano e estepe florestal.
No futuro, os cientistas planejam expandir a aplicação de suas metodologias clássicas e modernas de pesquisa de corpos d`água para outras áreas geográficas. Eles também pretendem investigar mais detalhadamente a interação das amebas testáceas com bactérias patogênicas para outros seres vivos.
