Avanço na Prevenção da Gripe: Cientistas Russos Criam Interferon de Tipo III Único

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Pesquisadores da Universidade Politécnica de São Petersburgo Pedro, o Grande (SPbPU) e do Instituto de Pesquisa da Gripe A.A. Smorodintsev, na Rússia, obtiveram em laboratório um interferon de tipo III. Este novo composto demonstra eficácia na proteção humana contra a gripe e possui vantagens significativas em relação a outros tipos de interferons.

De acordo com os especialistas, experimentos em camundongos revelaram que o novo medicamento é eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento de estágios iniciais da doença. A pesquisa foi detalhada na renomada revista International Journal of Antimicrobial Agents.

O Papel Crucial dos Interferons

As infecções virais respiratórias representam um desafio global para a saúde pública, exigindo diversas estratégias de combate. Uma abordagem promissora é a estimulação da resposta imune inata. Os interferons são proteínas produzidas pelo corpo em resposta à invasão de vírus e outros agentes patogênicos, atuando como a primeira e crucial linha de defesa contra infecções virais.

Vantagens do Interferon de Tipo III

Enquanto os interferons de tipos I e II foram amplamente estudados no século XX, os interferons lambda, ou de tipo III, foram descobertos há apenas cerca de duas décadas. Estes últimos apresentam notáveis vantagens: oferecem proteção contra uma vasta gama de vírus, incluindo gripe e coronavírus, e agem de forma localizada, principalmente nas mucosas do trato respiratório. Isso resulta em menor superestimulação do sistema imunológico e redução dos efeitos colaterais significativos observados com os interferons alfa.

Resultados da Pesquisa

A equipe de cientistas da SPbPU, em colaboração com o Instituto de Pesquisa da Gripe A.A. Smorodintsev, do Ministério da Saúde russo, conseguiu sintetizar interferons lambda recombinantes em laboratório.

“Inicialmente, obtivemos uma substância proteica que demonstrou atividade antiviral eficaz contra os vírus da gripe, coronavírus e febre Chikungunya (transmitida por mosquitos) em testes com células humanas.”

— Alexey Lozhkov, professor associado da Escola Superior de Sistemas e Tecnologias Biomédicas da SPbPU e um dos autores principais do estudo.

A pesquisa avançou para testes em camundongos de laboratório. O cientista enfatizou:

“Administramos o interferon lambda num regime profilático – um dia antes da infecção com uma estirpe pandémica do vírus influenza A. Os resultados mostraram que o composto bloqueia a disseminação do vírus nos pulmões dos animais, reduz a perda de peso corporal e diminui a mortalidade.”

Além disso, a SPbPU informou que o estudo demonstrou a eficácia dos interferons de tipo III contra infecções secundárias. Alexey Lozhkov recordou que, durante a pandemia da “gripe espanhola” (1918-1920), a alta taxa de mortalidade foi em grande parte atribuída a infecções bacterianas secundárias, causadas por patógenos como Staphylococcus aureus e pneumococos.

Próximos Passos e Aplicações

No futuro, a equipe de pesquisa visa desenvolver o medicamento em forma de gotas nasais ou spray, para uso como medida profilática contra infecções virais em humanos. O cientista explicou:

“Se uma pessoa teve contato com um doente, poderá usar o medicamento para reduzir preventivamente o risco de contágio. Além disso, os interferons lambda podem ser aplicados nas fases iniciais da doença, ao surgirem os primeiros sintomas como fraqueza, dor de garganta ou mal-estar geral.”

No entanto, o autor da publicação alertou que, na fase aguda da doença (com febre alta), os interferons, especialmente os de tipo I, devem ser usados com cautela, pois podem exacerbar processos inflamatórios indesejáveis no organismo.