As taxas de crescimento do PIB chinês ainda são sustentadas pela demanda externa.
A economia da China registrou um crescimento anual de 5,2% no segundo trimestre de 2025. Esse desempenho, embora ligeiramente inferior ao do primeiro trimestre, superou as expectativas dos analistas. A principal força motriz por trás desse aumento foi a expansão das exportações, impulsionada por uma ativa redistribuição de suprimentos em meio à contínua confrontação com os EUA. A resiliência do crescimento econômico pode levar as autoridades chinesas a adiar medidas de apoio planejadas. No entanto, sem elas, manter os níveis atuais se tornará mais difícil, pois o crescimento é contido não apenas por problemas conjunturais, mas também sistêmicos, incluindo uma fraca demanda interna.

De acordo com dados do Departamento Nacional de Estatísticas (DNE) da China, o PIB do país no segundo trimestre de 2025 aumentou 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em comparação, de janeiro a março, o crescimento foi de 5,4%. Analistas consultados pela Trading Economics esperavam uma desaceleração para 5,1%. Em 2024, a economia chinesa cresceu 5%, e a mesma meta foi estabelecida pelas autoridades para este ano. Diante dos dados de crescimento robusto no primeiro semestre (5,3% no total), os analistas já estão ajustando suas projeções. Por exemplo, o Barclays agora prevê que o PIB da China crescerá 4,5% este ano, uma revisão para cima em relação à sua estimativa anterior de 4%.
A principal contribuição para o crescimento estável no primeiro semestre e, em particular, no segundo trimestre, veio da expansão das exportações. Embora as remessas para os EUA tenham diminuído devido a restrições rígidas, foi registrado crescimento em outras direções. Por exemplo, as exportações para os países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) aumentaram 13% ano a ano de janeiro a junho; para o Reino Unido, 8%; para a UE, 6,6%; e para o Japão, 4,8%, conforme dados da Administração Geral da Alfândega da China.
O processo de reorientação das cadeias de suprimentos foi de fato iniciado por Pequim já durante o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, e essa nova onda de diversificação das exportações é explicada pelo desejo da China de reduzir sua dependência de um único mercado.
Análise: Apesar da trégua temporária na guerra comercial, a ameaça à estabilidade da demanda externa permanece devido à imprevisibilidade das decisões dos EUA.
Os pedidos externos, por sua vez, aceleraram o crescimento da produção industrial, que em junho subiu para 6,8% (após 5,8% em maio), enquanto os analistas esperavam uma desaceleração para 5,6%. Na indústria de transformação, a produção cresceu 7,4%; na mineração, 6,1%; e no setor de petróleo e gás, 3,6%. O crescimento mais notável – de 9,7% – foi registrado em setores de alta tecnologia, com algumas áreas (incluindo a produção de robôs industriais) apresentando variações próximas a 40%. No geral, no primeiro semestre, a produção industrial aumentou 6,4%.
Os dados econômicos atuais, no entanto, podem postergar a implementação de medidas de apoio a empresas e consumidores, que estão sendo elaboradas pelas autoridades chinesas. Funcionários do governo enfatizam a resiliência do crescimento e a desnecessidade de um estímulo ativo.
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No entanto, os problemas sistêmicos da economia chinesa persistem. Eles são visíveis nas estatísticas recentes e, de acordo com as avaliações dos analistas, influenciarão cada vez mais as taxas de crescimento no segundo semestre. Um dos problemas cruciais é a fraca demanda interna. As vendas no varejo em junho cresceram 4,8% ano a ano, um declínio em relação a maio (6,4%). Especialistas esperavam uma redução menos significativa, para 5,6%. A queda afetou, em particular, as vendas de alimentos, bebidas não alcoólicas e cosméticos. No total do primeiro semestre, as vendas no varejo aumentaram 5%. O crescimento atual é impulsionado principalmente pelo programa governamental de aquisição de bens via “trade-in”.
A pressão adicional sobre o sentimento do consumidor vem da contínua desaceleração no mercado imobiliário: o custo de novas moradias nas grandes cidades chinesas em junho diminuiu 0,3% mês a mês (a maior queda em oito meses) e 3,2% ano a ano, segundo dados do DNE. Os investimentos em imóveis no primeiro semestre caíram 11,2%. Diante das incertas perspectivas externas e da falta de progresso na resolução de problemas internos, manter as metas de crescimento econômico no segundo semestre será uma tarefa mais desafiadora para Pequim.
