Cientistas Criam Método para Diminuir Efeitos Adversos do Tratamento Contra o Câncer

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Pesquisadores russos anunciam um avanço promissor na oncologia, desenvolvendo uma estratégia inovadora para a entrega precisa de medicamentos, que promete tornar a quimioterapia mais eficaz e menos agressiva para os pacientes.

Um Novo Caminho para a Quimioterapia Direcionada

Uma equipe de especialistas da Universidade Politécnica Pedro o Grande de São Petersburgo (SPbPU), em colaboração com outros cientistas, conseguiu desenvolver um método inovador para aumentar a precisão na entrega de medicamentos anticâncer diretamente aos tumores. Este avanço, detalhado em um estudo publicado no renomado Journal of Controlled Release, representa um passo significativo na redução dos efeitos colaterais frequentemente associados ao tratamento oncológico.

Desafios da Terapia Convencional

A quimioterapia tradicional, apesar de sua eficácia contra o câncer, é conhecida por seus efeitos colaterais debilitantes, como perda de cabelo, náuseas e exaustão extrema. Esses sintomas surgem porque os potentes medicamentos, ao circularem pelo sangue, não distinguem as células cancerosas das saudáveis, atingindo e danificando ambas. Consequentemente, uma parcela mínima do fármaco administrado alcança efetivamente o tumor, comprometendo a eficácia geral do tratamento.

Sergey Shipilovskikh, principal pesquisador e professor associado da Escola Superior de Sistemas e Tecnologias Biomédicas da SPbPU, explicou que para superar essa limitação, a equipe recorreu ao uso de nanotransportadores. Estes “recipientes” microscópicos têm a capacidade de encapsular a substância ativa, protegendo-a do ambiente externo e permitindo um controle mais preciso sobre sua destinação.

A Inovação: Nanopartículas “Camufladas”

A chave para esta descoberta está no revestimento das nanopartículas com uma mistura especial de substâncias biológicas. Os cientistas da SPbPU, em conjunto com colegas da ITMO, descobriram que ao cobrir a superfície das nanopartículas com componentes, incluindo lecitina – uma substância que constitui até um terço do cérebro humano – é possível “camuflar” esses nanocontainers das células saudáveis. Essa técnica assegura que a substância ativa seja reconhecida e liberada com alta especificidade nas células cancerosas.

“Nossos resultados demonstram que aproximadamente 80% da substância ativa, liberada de um nanocontainer feito de dióxido de silício e revestido por uma camada lipídica de lecitina, é direcionada exclusivamente às células cancerosas”, detalhou Sergey Shipilovskikh. Ele também ressaltou que a liberação do medicamento é prolongada, o que favorece um acúmulo gradual no local do tumor, otimizando o efeito terapêutico.

Benefícios Adicionais e Perspectivas Futuras

Além da entrega direcionada, o uso da lecitina como revestimento oferece a vantagem de ser um componente natural do corpo humano, o que minimiza o risco de rejeição imunológica. Adicionalmente, os nanocontainers contribuem para uma melhor estabilidade dos medicamentos. O pesquisador sublinhou: “O uso da substância ativa em forma de nanopartículas, em vez de sua forma livre, é igualmente benéfico para as condições de armazenamento. O nanocontainer protege o medicamento contra agentes externos como oxigênio atmosférico e luz, que poderiam degradá-lo.”

Os cientistas teorizam que a acumulação das nanopartículas nos tumores é facilitada tanto pela estrutura específica do revestimento lipídico quanto pelo metabolismo geralmente mais ativo das células tumorais em comparação com as células saudáveis. A equipe planeja agora aprofundar a pesquisa, investigando os mecanismos detalhados de captação das nanopartículas revestidas com lecitina pelas células. O objetivo final é desenvolver um sistema universal e versátil para a entrega de medicamentos anticâncer a diversos tipos de células tumorais.

Esta pesquisa inovadora foi conduzida sob o suporte do programa federal “Prioridade-2030”, destacando o compromisso com o avanço da ciência e da saúde.