Pesquisadores da Universidade de Samara criaram um algoritmo avançado que melhora significativamente a visibilidade das veias. Esta inovação promete facilitar a realização de procedimentos médicos que exigem a inserção precisa de agulhas, sendo particularmente útil em situações onde as veias são difíceis de localizar a olho nu. Os detalhes desta descoberta foram publicados no Journal of Biomedical Photonics & Engineering.
A prática médica atual frequentemente demanda a introdução de agulhas em veias para diagnósticos laboratoriais e outros tratamentos. Contudo, a dificuldade em visualizar os vasos sanguíneos pode ser um desafio considerável para os profissionais de saúde, resultando em complicações, como na coleta de sangue.
Para mitigar este problema, a ciência tem explorado ativamente diversas técnicas ópticas, incluindo a visualização de veias na faixa do infravermelho próximo, similar às câmeras de visão noturna. No entanto, essas abordagens existentes enfrentam limitações como a pouca profundidade e o baixo contraste da imagem, além de algoritmos digitais de processamento de imagem que demonstram instabilidade e desempenho insatisfatório.
Em resposta a esses desafios, os cientistas da Universidade de Samara desenvolveram um algoritmo robusto e eficaz para aprimorar a visualização venosa. Nikita Remizov, pós-graduando do Departamento de Sistemas Laser e Biotecnológicos da universidade, explicou que o novo método se baseia em operações eficientes da Transformada Discreta de Fourier – uma técnica fundamental em algoritmos de digitalização de sinais, cujas variações são empregadas em compressão de áudio (MP3) e imagens (JPEG).
“O processamento de imagens no espaço de Fourier permite amplificar de forma eficaz e confiável as áreas da imagem com mudanças abruptas na intensidade dos pixels adjacentes. As regiões localizadas na faixa de alta frequência do espectro bidimensional correspondem a transições nítidas na imagem. Com o uso da Transformada Rápida de Fourier, podemos empregar módulos de computação relativamente econômicos e processar imagens em tempo real”, detalhou Remizov.
Os pesquisadores afirmam que a nova abordagem supera os métodos convencionais, especialmente na eficácia de distinguir os pixels que representam as veias dos tecidos circundantes do corpo.
Remizov salientou que este algoritmo é um passo crucial no desenvolvimento de um dispositivo russo inovador para visualização de veias. O objetivo é criar um aparelho que seja não apenas acessível e viável para produção, mesmo sob condições de sanções, mas também altamente eficaz e prático para uso médico, especialmente em pacientes com alto índice de massa corporal ou outros fatores que dificultam a venipunctura.
Atualmente, a equipe de cientistas está focada na otimização da configuração óptica do futuro dispositivo. A combinação desta otimização com o processamento algorítmico das imagens permitirá uma visualização de veias sem precedentes, capaz de superar desafios como a pigmentação acentuada da pele, que tornam as veias invisíveis por outros métodos.
