Pesquisadores da Universidade de Barcelona fizeram uma importante descoberta: a combinação de dois medicamentos já conhecidos e utilizados para reduzir riscos cardiovasculares — o pemafibrato e o telmisartana — mostrou-se eficaz na diminuição do acúmulo de gordura no fígado. Os resultados detalhados desta pesquisa foram publicados na conceituada revista Pharmacological Research.
Em experimentos conduzidos com modelos animais, especificamente ratos e larvas de peixe-zebra, essa dupla de fármacos conseguiu reduzir significativamente os depósitos de gordura no fígado, que haviam sido induzidos por uma dieta rica em gorduras e frutose.
Um aspecto crucial e promissor do estudo é que a utilização de metade da dose de cada um dos medicamentos combinados apresentou a mesma eficácia que a dose completa de cada um individualmente. Este achado é de grande relevância, pois abre caminho para potenciais tratamentos com menor toxicidade e efeitos colaterais. Além de combater a gordura hepática, os medicamentos também demonstraram a capacidade de normalizar a pressão arterial e os níveis de lipídios, fatores essenciais na redução dos riscos cardiovasculares, que estão intrinsecamente ligados à doença hepática gordurosa metabólica.
Embora esses resultados iniciais sejam promissores e tenham sido obtidos em modelos animais, os pesquisadores alertam que ainda há um longo percurso até a aplicação clínica em humanos. Contudo, eles enfatizam que a estratégia de “reaproveitamento” (repurposing) de medicamentos já existentes e que comprovadamente são seguros pode se tornar uma das abordagens mais promissoras na busca por terapias para os milhões de indivíduos que sofrem dessa condição de saúde global.
Em um contexto similar de pesquisas sobre o reaproveitamento de medicamentos, estudos anteriores revelaram que inalações com o heparina, um fármaco comum, foram capazes de reduzir pela metade o risco de mortalidade e a necessidade de ventilação mecânica em pacientes gravemente afetados pela COVID-19.
