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Cientistas revelaram que uma alta carga de genes de resistência a antibióticos no organismo está ligada a um aumento de 40% no risco de mortalidade geral e a um crescimento de mais de duas vezes no risco de sepse. Estes são os resultados de um extenso estudo de 17 anos da Universidade de Turku, publicados na renomada revista Nature Communications.
Um dos principais fatores identificados foi o impacto dos antibióticos, em particular as tetraciclinas, cuja influência na microbiota pode persistir por anos. Contudo, outros fatores também se mostraram relevantes: a alimentação e características sociais. Por exemplo, a predominância de bactérias intestinais típicas da dieta ocidental, como Escherichia coli e Bacteroides, foi associada a uma maior resistência a antibióticos. Por outro lado, o consumo de fibras – presente em alimentos como bagas, batatas e pão de centeio – e o aumento de bactérias benéficas contribuíram para diminuir essa resistência.
Inversamente, alguns alimentos podem introduzir bactérias resistentes no corpo: vegetais crus, saladas e frango foram associados a níveis mais elevados de resistência. O fator social também trouxe surpresas: mulheres, habitantes de grandes cidades e indivíduos com alta renda apresentaram indicadores mais elevados de resistência, apesar de estas serem, em geral, consideradas categorias com melhor estado de saúde.
Os pesquisadores sublinham que a redução da disseminação de bactérias resistentes não depende apenas da diminuição do uso de antibióticos. Medidas simples e cotidianas também são cruciais: a lavagem regular das mãos, o preparo cuidadoso dos alimentos e uma dieta rica em fibras.
Anteriormente, já havia sido demonstrado que a recuperação da microflora intestinal após um tratamento com antibióticos é significativamente influenciada pela alimentação. Foi constatado que alimentos ricos em gordura podem dificultar essa recuperação, tornando o intestino mais suscetível a infecções.
