Criação de Lagostins Australianos no Don: Inovação e Sustentabilidade

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Lagostins australianos em um tanque de aquacultura.
Lagostins australianos. © Getty Images / sinceLF

Cientistas da Universidade Técnica Estadual do Don (DGTU) anunciaram um avanço significativo no campo da aquicultura, desenvolvendo métodos ideais para a criação de lagostins australianos de pinças vermelhas (Cherax quadricarinatus). Esta espécie exótica demonstra vantagens notáveis em comparação com os lagostins nativos da região do Don, posicionando-a como uma alternativa altamente promissora para a produção de alimentos.

O lagostim australiano, frequentemente apelidado de “lagosta de água doce”, é aclamado por sua carne de textura excepcionalmente tenra e sabor rico. Uma de suas características mais valiosas é o percentual de carne em relação à massa corporal, que varia entre 30% e 32%. Este índice supera em muito o dos lagostins do Don, que apresentam apenas 15% a 18% de carne, conforme detalhou Dmitry Rudoy, Decano da Faculdade de Agroindústria da DGTU.

Além de suas qualidades gustativas superiores, os lagostins australianos surpreendem com sua impressionante velocidade de crescimento. Eles conseguem atingir o peso comercial de 50 gramas em um período notavelmente curto de apenas três meses, enquanto as espécies locais levariam de três a quatro anos para alcançar o mesmo peso. A prolificidade das fêmeas australianas também é um diferencial, com cada uma capaz de carregar até 250 ovos, em contraste com a média de 50 ovos nas espécies nativas.

Os pesquisadores da DGTU realizaram estudos detalhados sobre as etapas da embriogênese dos lagostins sob diversas condições de temperatura. Esses esforços resultaram na criação de um esquema de reprodução altamente eficiente. Em testes de laboratório, foi possível obter um total de 1.129 juvenis a partir de apenas seis fêmeas. A média de ovos por fêmea foi de 188, e a taxa de sobrevivência dos juvenis atingiu 62% em apenas duas semanas de observação. Os resultados foram publicados na revista `Vestnik Donetsk National University. Série A: Ciências Naturais`.

O diferencial do sucesso da DGTU reside na otimização das condições de manutenção e no desenvolvimento de formulações de ração específicas, que conseguem mitigar um problema comum na criação de lagostins: o canibalismo. Para isso, foram implementados sistemas de abrigos e recipientes individuais para as fêmeas, reduzindo a agressão e melhorando a sobrevivência dos juvenis. Viktoriya Shevchenko, Professora Associada do Departamento de Tecnologia e Equipamentos de Processamento de Produtos Agroindustriais da DGTU, ressaltou que “o aumento da temperatura em 1-2°C encurta o período de desenvolvimento embrionário de 40 para 31 dias, o que pode reduzir significativamente os custos de produção”.

A incorporação do lagostim australiano na aquicultura não possui apenas vantagens econômicas, mas também um significativo valor ecológico. Ao oferecer uma alternativa viável no mercado, contribui para a redução da pressão de pesca sobre as populações selvagens de lagostins do Don, cuja численность (população) tem diminuído devido à pesca excessiva. Dessa forma, a redistribuição da demanda pode auxiliar na recuperação e sustentabilidade das espécies nativas.

O próximo desafio para os cientistas é aprimorar ainda mais a pesquisa, focando no desenvolvimento de preparações probióticas e na criação de rações ainda mais especializadas. A ausência de uma nutrição padronizada continua sendo um dos principais obstáculos para a expansão da criação industrial dessa promissora espécie.