Cúpula de Premiês na Ásia Central: Diálogos Ambientais Cruciais

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Líderes discutem soluções para os desafios ecológicos transnacionais

Em 25 de julho, o resort Manzherok, na República de Altai, sediou a sessão plenária da Conferência Internacional de Ecologia. O evento contou com a participação dos primeiros-ministros da Rússia, Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tajiquistão. O foco principal foi nos desafios ecológicos prementes que exigem ação coletiva, incluindo o recuo do Mar Cáspio, a crescente escassez de água na Ásia Central e a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Intitulada “Desafios Ecológicos: Rumo ao Desenvolvimento Sustentável”, a conferência reuniu uma delegação considerável na região de Altai, incluindo também o vice-presidente do Gabinete de Ministros do Turcomenistão. O chefe do governo russo, Mikhail Mishustin, enfatizou que tais encontros são cruciais para o desenvolvimento de abordagens unificadas, visando equilibrar a proteção ambiental com o progresso socioeconômico dos países.

Em relação à agenda ambiental, os premiês demonstraram uma rara unanimidade, sublinhando o caráter transnacional dos problemas e a prontidão para a implementação conjunta de projetos.

Desafios Hídricos e Mar Cáspio

Em particular, foram delineadas abordagens para resolver os problemas do Mar Cáspio. Mikhail Mishustin afirmou que, para combater seu recuo, é fundamental desenvolver um modelo de previsão de longo prazo para as flutuações do nível da água, o que permitirá otimizar as atividades econômicas e minimizar possíveis consequências negativas. Ele observou que o Ministério dos Recursos Naturais da Rússia já está trabalhando ativamente nessa direção e convida colegas de outros países a se unirem ao processo. O primeiro-ministro do Cazaquistão, Olzhas Bektenov, também apelou a “ações decisivas de todos os estados do litoral do Cáspio” para salvar o mar, pois “as previsões dos cientistas são desanimadoras”.

A questão da água preocupa a maioria dos países participantes em um sentido mais amplo. O primeiro-ministro do Quirguistão, Adylbek Kasymaliev, citou uma previsão do Banco Mundial, segundo a qual, até 2050, o déficit hídrico na Ásia Central pode atingir 20-30% do nível de consumo necessário. Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da Armênia, acrescentou que a escassez de recursos hídricos leva à diminuição da eficácia das pastagens, terras aráveis e redução dos recursos florestais. A esse respeito, Mikhail Mishustin propôs uma cooperação mais ativa nas bacias hidrográficas transfronteiriças (cuja área total nos territórios da Federação Russa e países adjacentes é de 3 milhões de km²) e o estabelecimento de um sistema de monitoramento de seu estado.

Redução de Emissões e Justiça Climática

Os participantes da conferência também discutiram as obrigações do Acordo de Paris relativas à redução das emissões de gases de efeito estufa. Quase todos os chefes de governo apresentaram suas metas nacionais, e alguns, como a Bielorrússia, até excederam seus planos (a Bielorrússia já cumpriu sua meta de redução de 35-40% até 2030 antes do prazo). Adylbek Kasymaliev enfatizou que os países desenvolvidos, responsáveis por 80% das emissões, devem garantir a “justiça climática”, fornecendo financiamento e tecnologias para países com baixos níveis de emissão.

Agenda Ambiental Interna dos Países

Os primeiros-ministros também abordaram questões ambientais internas de seus estados, incluindo medidas para proteger espécies animais raras, preservar florestas e reduzir a quantidade de resíduos. Mikhail Mishustin informou que, na Federação Russa, o nível de utilização de materiais recicláveis na agricultura, indústria e serviços públicos atingiu 10%, com planos de aumentar para 25% em cinco anos. O primeiro-ministro da Bielorrússia, Aleksandr Turchin, observou que em seu país o nível de reciclagem de resíduos de produção (excluindo os de grande volume) é de cerca de 90%, e de resíduos sólidos urbanos é de 40%. Minsk planeja implementar um sistema unificado de gestão para todos os tipos de resíduos, visando atingir um nível de reutilização de 90% até 2040.