Uma descoberta surpreendente emergiu de uma pesquisa conduzida por cientistas chineses: a prática regular de cuidar dos netos pode estar associada a um risco menor de desenvolvimento de demência em indivíduos idosos. Analisando dados de mais de 10 mil participantes com idades entre 50 e 79 anos, o estudo, cujos resultados foram publicados na revista JAMA Network Open, indicou que aqueles que dedicavam até 39 horas por semana aos seus netos apresentaram uma probabilidade 24% menor de desenvolver a condição neurodegenerativa em comparação com aqueles que não se envolviam no cuidado dos netos.
A investigação também revelou que os avós que participavam ativamente da vida de seus netos tendiam a ser mais engajados no uso de tecnologias digitais, como celulares e internet, e relatavam sentir menos solidão. Esses dois elementos — a conectividade digital e os fortes laços sociais — foram identificados como fatores que, em parte, explicam a redução no risco, contribuindo para quase 37% do efeito protetor observado.
Entretanto, o estudo apontou que um envolvimento excessivo no cuidado dos netos, equivalente a uma carga horária de trabalho integral, não demonstrou o mesmo impacto positivo significativo na saúde cognitiva. Os pesquisadores sugerem que um nível de exigência muito alto pode gerar estresse e fadiga, potencialmente anulando os benefícios.
Os autores da pesquisa enfatizam a importância das conexões sociais e da adaptação às tecnologias digitais como estratégias acessíveis na prevenção da demência. A interação regular com os netos, dentro de um equilíbrio saudável, surge assim como um valioso recurso para a manutenção da clareza mental e da vitalidade na fase mais avançada da vida.
Vale lembrar que outras pesquisas já haviam destacado o papel fundamental da nutrição na luta contra a demência. Uma dieta rica em vegetais, peixes e grãos integrais, por exemplo, tem sido associada à redução do risco da doença.
