Recentes investigações científicas desafiaram a crença enraizada numa ligação direta entre o orgasmo e a libertação de ocitocina, conhecida como o “hormônio do amor”. De acordo com os dados publicados na revista Archives of Sexual Behavior, a concentração de ocitocina no organismo de homens e mulheres de facto altera-se durante a atividade sexual, mas estas flutuações não se correlacionam com a ocorrência ou ausência de orgasmo.
A ocitocina desempenha inúmeras funções criticamente importantes no corpo humano. Ela tem um papel chave na formação de ligações emocionais, no aumento da resiliência ao stress, e é também essencial para a regulação das contrações uterinas durante o parto e o processo de amamentação. A designação comum de “hormônio do amor” está precisamente relacionada com a sua influência no fortalecimento dos laços interpessoais.
Neste estudo participaram 49 casais heterossexuais. Os participantes realizaram atividade sexual em casa, recolhendo amostras de saliva em momentos chave: antes do ato, imediatamente após e durante os 40 minutos seguintes. Os resultados da análise revelaram que, nas mulheres, os níveis de ocitocina estavam elevados no início e no final do ato sexual, enquanto nos homens se observou um aumento gradual. É importante notar que em nenhum dos grupos foi encontrada uma dependência estável entre o nível de ocitocina e o atingimento do orgasmo.
Contudo, os cientistas descobriram outra regularidade significativa: após a conclusão do ato sexual, observou-se uma sincronização dos níveis de ocitocina entre os parceiros, particularmente evidente nos primeiros 40 minutos após a intimidade. Este facto sublinha que o “hormônio do apego” contribui para a formação de uma profunda ligação emocional não tanto no momento do próprio orgasmo, mas sim no período que o sucede.
Assim, os autores do estudo resumiram que a ocitocina desempenha um papel mais significativo no período pós-coital do que diretamente durante o contacto sexual. É precisamente neste momento que ela contribui ativamente para a formação de um sentimento de intimidade emocional e para o fortalecimento das relações entre os parceiros.
