O dispositivo THOR, desenvolvido para a detecção de tuberculose, é capaz de identificar o agente causador da doença diretamente pelo ar exalado por uma pessoa potencialmente infectada, simplificando e acelerando significativamente o processo de diagnóstico.

Pesquisas conjuntas do Instituto Karolinska (Suécia) e cientistas sul-africanos resultaram numa abordagem revolucionária para o diagnóstico da tuberculose. Em vez da análise tradicional de escarro, agora propõe-se identificar a doença através de partículas de aerossol contidas no hálito humano. Dados publicados na revista Open Forum Infectious Diseases (OFID) confirmam que o DNA da micobactéria tuberculosa (Mycobacterium tuberculosis) é detetado com sucesso utilizando o dispositivo especializado TB Hotspot detectOR, ou THOR.
Este método inovador demonstrou uma eficácia impressionante, detetando o DNA do patógeno em 47% dos pacientes examinados, nos quais a tuberculose havia sido previamente confirmada por análise de escarro. Em casos de alta carga bacteriana, a precisão da detecção aumentou para 57%. Os autores do estudo enfatizam que esta abordagem oferece uma oportunidade única para a identificação rápida de portadores infecciosos diretamente em ambiente clínico, o que é particularmente valioso para pacientes que têm dificuldades em fornecer amostras biológicas tradicionais.
Adicionalmente, os cientistas notaram outro aspeto importante: o DNA do bacilo da tuberculose foi encontrado em 30% das amostras de ar recolhidas em consultórios médicos, mesmo após a limpeza regular. Este facto não só confirma a alta sensibilidade da nova ferramenta diagnóstica, mas também serve como um alerta sobre a facilidade de propagação da infeção em espaços fechados, sublinhando a necessidade de reforçar as medidas de prevenção.
