Vladimir Dzhanibekov, cosmonauta soviético e duas vezes Herói da União Soviética, compartilhou memórias sobre o início difícil da cooperação com os Estados Unidos na área espacial. Ele notou que a recepção aos cosmonautas soviéticos na NASA não foi muito hospitaleira.
Em uma coletiva de imprensa dedicada ao 50º aniversário da missão Soyuz-Apollo, Dzhanibekov especificou:
O início de nossos encontros foi difícil. Na NASA, não fomos recebidos de forma muito amigável… em um quadro negro… estava desenhado a giz um `Space Shuttle` invertido, e do compartimento de carga caíam bombas sobre o mapa desenhado da URSS.
Além disso, segundo seus depoimentos, os colegas soviéticos deparavam-se com inscrições como “Cuidado com os russos” e eram submetidos a verificações inesperadas de pertences pessoais.
Dzhanibekov também mencionou a vigilância constante:
Eu saía para fazer exercícios, e um especialista de uma casa vizinha pulava atrás de mim, tentando me alcançar… Todas as paredes estavam cheias de gravadores, gravando tudo o que falávamos entre nós.
O cosmonauta ressaltou que, com o tempo, as relações espaciais entre a URSS e os EUA melhoraram, surgindo mais contatos e programas conjuntos, um fator que contribuiu para isso foi a criação da Associação Internacional de Participantes de Voos Espaciais.
Recorde-se que a missão conjunta Soyuz-Apollo, realizada de 15 a 24 de julho de 1975, ficou para a história como o “aperto de mãos no espaço” e simbolizou a distensão das tensões internacionais.
