Endometriose: Quando a Cirurgia é Necessária?

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Dores menstruais intensas são frequentemente consideradas uma inevitabilidade por muitas mulheres. No entanto, por trás delas, muitas vezes esconde-se a endometriose — uma doença crônica que exige atenção. A principal questão que surge após o diagnóstico é: quando é possível gerir a condição com medicamentos e quando a intervenção cirúrgica se torna indispensável?

O que é Endometriose?

Nesta doença, células semelhantes às que revestem o interior do útero (endométrio) começam a crescer onde não deveriam: nos ovários, tubas uterinas, intestino, bexiga, entre outros locais. Durante a menstruação, esses focos ectópicos também sangram, o que provoca inflamação, dor intensa e a formação de aderências.

Um grande estudo de 2022, com a participação de mais de 116 mil mulheres, demonstrou que a endometriose aumenta o risco de AVC em 34%. Este dado sublinha que a doença não se limita a “períodos dolorosos”, mas representa um problema sistêmico que exige controlo médico.

Sintomas Principais

  • Dor menstrual intensa que pode irradiar para a região lombar e reto.
  • Dor durante ou após a relação sexual.
  • Dor pélvica crônica, independentemente do ciclo menstrual.
  • Infertilidade.
  • Micção ou defecação dolorosa (quando os órgãos urinários ou intestinais são afetados).

Como é feito o Diagnóstico

O “padrão-ouro” para o diagnóstico definitivo é a laparoscopia — uma cirurgia minimamente invasiva, realizada através de pequenas incisões, que permite ao médico visualizar os focos de endometriose e, muitas vezes, removê-los imediatamente. Exames como ultrassonografia e ressonância magnética podem ajudar a identificar cistos nos ovários (endometriomas), mas nem sempre detectam focos menores ou superficiais.

Quando a Cirurgia é Necessária?

De acordo com as recomendações internacionais, o tratamento cirúrgico é indicado nos seguintes casos:

  1. Dor intensa que não é controlada por medicamentos: quando a terapia hormonal e os analgésicos não proporcionam uma melhoria significativa na qualidade de vida.
  2. Infertilidade associada à endometriose: a cirurgia para remoção dos focos pode aumentar as chances de gravidez natural ou o sucesso de técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).
  3. Presença de cisto endometriótico no ovário (endometrioma) com tamanho a partir de 4 cm: esses cistos podem interferir na função ovariana, aumentar de volume e, em alguns casos, romper-se.
  4. Afetação de outros órgãos: se os focos de endometriose atingem o intestino, bexiga ou ureteres, comprometendo sua função (por exemplo, causando obstrução intestinal ou problemas renais).
  5. Suspeita de malignidade: em casos muito raros, é necessário excluir um processo cancerígeno, pois a endometriose pode, em situações excecionais, estar associada a malignidades.

Opções de Tratamento

O tratamento da endometriose é sempre complexo e individualizado, adaptado às necessidades de cada paciente.

Terapia Conservadora: Inclui o uso de analgésicos e medicamentos hormonais (como progestagénios e contracetivos orais combinados). O objetivo é suprimir a atividade dos focos de endometriose, reduzir a dor e prevenir a progressão da doença.

Tratamento Cirúrgico (Laparoscopia): O objetivo é remover cuidadosamente todos os focos visíveis de endometriose, separar aderências e restaurar a anatomia pélvica. Este tipo de intervenção é particularmente importante para mulheres que planeiam engravidar.

A cirurgia para endometriose não é uma medida de emergência, mas uma decisão ponderada. É recomendada quando os benefícios (como o alívio da dor debilitante, a restauração da fertilidade e a prevenção de complicações) superam claramente os riscos. Se observar sintomas preocupantes, o primeiro passo é consultar um ginecologista especializado no diagnóstico e tratamento da endometriose para uma avaliação adequada.