Expansão Nacional do Programa de Melhoria Ambiental

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O Ministério dos Recursos Naturais da Rússia propôs estender a prática do projeto federal “Ar Limpo” para todo o território do país. Isso significa que o mecanismo de cotas de emissões poderá ser aplicado em qualquer cidade russa onde o problema da poluição atmosférica seja particularmente agudo. Espera-se que as autoridades regionais recebam o direito de estabelecer metas específicas para a redução de emissões para instalações industriais e de desenvolver programas abrangentes com prazos claros e fontes de financiamento. No entanto, apesar dos planos ambiciosos, a eficácia do projeto “Ar Limpo” atual e sua metodologia ainda levantam questões, e o projeto de lei proposto pelo Ministério, segundo especialistas, não justifica claramente as decisões regionais sobre as cotas.

Com o objetivo de levar o projeto federal “Ar Limpo” para além das cidades mais poluídas, o Ministério dos Recursos Naturais elaborou um pacote de emendas à lei “Sobre a Proteção da Atmosfera”. Essas mudanças visam criar uma base legal para que os sujeitos da Federação Russa possam estabelecer de forma independente metas para a redução de emissões poluentes em seus territórios, utilizando o modelo de cotas já testado no âmbito do projeto atual. O projeto de lei foi publicado no portal regulation.gov.ru e, se aprovado, deverá entrar em vigor em 1º de setembro de 2026.

Inicialmente, o projeto “Ar Limpo” visava melhorar a situação ecológica e reduzir os volumes de emissões nas áreas industriais mais desfavorecidas da Rússia. A lista de cidades participantes já sofreu alterações: dos 12 centros industriais iniciais, foi expandida para 41 cidades até setembro de 2023. As metas para os primeiros participantes preveem uma redução de emissões de pelo menos 20% até 2026 em relação aos níveis de 2017, enquanto para os novos participantes a tarefa é mais ambiciosa – reduzir as emissões pela metade até 2036 em comparação com os níveis de 2020.

Além de conceder às regiões o direito de introduzir independentemente o sistema de cotas, as emendas do Ministério dos Recursos Naturais também unificam o procedimento para estabelecer metas. As regiões poderão identificar substâncias poluentes prioritárias e suas principais fontes, desenvolver planos de ação abrangentes para a redução de emissões e compilar listas de instalações obrigadas a cumprir essas exigências. O círculo de fontes de poluição incluirá não apenas grandes empresas industriais, mas também instalações de infraestrutura municipal, de transporte e social.

O projeto também exige que as instalações das categorias I e II de impacto ambiental negativo (IEA) incluam metas de emissões de poluentes em suas licenças ambientais complexas e declarações de impacto ambiental. Esses dados serão regularmente refletidos nos relatórios ambientais e industriais. Os desenvolvedores reconhecem que, embora o projeto de lei não exija dotações orçamentárias adicionais, ele acarretará certos custos para pessoas jurídicas e empresários individuais.

De acordo com a nota explicativa, embora as regiões já tenham o direito de estabelecer metas e prazos para a redução de emissões, a ausência de um procedimento unificado impede a aplicação eficaz dessa norma. A lei nº 95-FZ em vigor, que regulamenta o experimento atual, tem caráter temporário e se limita a uma lista específica de cidades. O Ministério dos Recursos Naturais explicou que o novo projeto de lei não apenas ampliará o escopo do sistema de cotas, mas também permitirá que esse mecanismo seja aplicado nas cidades participantes do projeto federal após sua conclusão oficial em 2030.

É importante notar que o projeto “Ar Limpo” tem sido repetidamente criticado por constantes mudanças em seus parâmetros, possível duplicação de normas, incompletude de dados e uma regulamentação geralmente imperfeita. Há o temor de que, caso as novas emendas do Ministério dos Recursos Naturais sejam aprovadas, as deficiências metodológicas do projeto federal possam ser transferidas para todas as cidades da Rússia. Por exemplo, o sistema de cotas no âmbito do projeto “Ar Limpo” já demonstra diferentes requisitos para participantes “antigos” e “novos”. Irina Demina, CEO da consultoria ENV, enfatiza que “as mudanças, pela terceira vez, alteram a lógica da regulamentação, concedendo aos sujeitos da Federação Russa o direito de determinar independentemente tanto as metas quanto os prazos para sua consecução. Assim, a eficácia do projeto piloto não foi avaliada, mas o mecanismo já está sendo replicado em todo o país com novas regras”.

A Sra. Demina também aponta para possíveis dificuldades: as instalações da categoria I de IEA, que serão incluídas no sistema de redução de emissões, terão que desenvolver novos planos de ação, mesmo que já possuam programas aprovados para melhorar a eficiência ambiental, e expandir o controle ambiental industrial para substâncias adicionais. Além disso, como o procedimento para estabelecer metas e sua verificação será determinado pelos próprios sujeitos, existe o risco de que as regiões estabeleçam metas e prazos arbitrários apenas para relatar formalmente seu cumprimento.