Explicação Científica para o Desejo de Comer sob Estresse

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Pessoa comendo comida reconfortante sob estresse

Já reparou que, em situações de estresse, a mão automaticamente procura alimentos ricos em gordura, doces ou carboidratos? Pesquisadores da Universidade Texas A&M International descobriram que esse comportamento tem raízes evolutivas profundas. A sua descoberta foi publicada na prestigiada revista Food Quality and Preference.

No estudo, 142 estudantes participaram. Foi-lhes pedido que se imergissem num dos três cenários hipotéticos. O primeiro cenário simulava uma vida de estabilidade e prosperidade, com um emprego seguro e confiança no futuro. O segundo representava a incerteza económica, como a perda de emprego ou dificuldades financeiras. O terceiro descrevia um ambiente perigoso, associado ao risco de violência ou outras ameaças.

Em seguida, foram mostrados aos participantes pares de imagens de diferentes alimentos: de baixa e alta caloria. Usando tecnologia de rastreamento ocular de alta precisão, os cientistas registaram em quais produtos o olhar permanecia por mais tempo e o que atraía mais atenção. Além disso, os estudantes avaliaram o apelo dos alimentos e responderam a perguntas sobre a sua sensação de fome, situação financeira e possíveis preocupações com a escassez de produtos.

Os resultados mostraram que os estudantes demonstraram maior e mais prolongado interesse em alimentos ricos em calorias. Este efeito foi particularmente pronunciado entre aqueles que imaginavam dificuldades económicas e potencial escassez — eles escolheram e focaram por mais tempo em alimentos mais nutritivos. Curiosamente, no cenário de ameaça de violência, não houve padrão semelhante, e em condições de segurança, alguns participantes até preferiram opções de baixa caloria.

Os cientistas concluem que, em momentos de incerteza, o nosso organismo busca instintivamente uma reposição rápida de reservas de energia. Esse mecanismo provavelmente se desenvolveu ao longo da evolução como uma forma de sobrevivência em períodos de fome e instabilidade de recursos. É por isso que o estresse, especialmente o relacionado à sensação de insegurança ou escassez, pode provocar um forte desejo por alimentos substanciais e calóricos.