República Popular da China continua a aumentar os envios, mas não para os EUA
As exportações chinesas em julho apresentaram um crescimento mais dinâmico do que o previsto pelos analistas: o volume de remessas aumentou 7,2% em comparação anual, atingindo 321,8 bilhões de dólares, superando a previsão de 5,4%. Provavelmente, os exportadores procuraram acelerar os embarques antecipando novas tarifas de reexportação americanas. Isso pode explicar, em particular, a significativa expansão das exportações chinesas para os países da ASEAN. Avaliar o verdadeiro sucesso da diversificação das exportações da China ainda é difícil, pois não se sabe qual volume de mercadorias permanece nesses países e qual é reencaminhado para os EUA. Enquanto isso, analistas acreditam que a China está mudando sua estratégia de entrada em novos mercados, apostando não no preço baixo, mas na qualidade superior dos produtos em comparação com os concorrentes.
O superávit da balança comercial da China em julho foi de 98,3 bilhões de dólares, uma queda em relação aos 114,8 bilhões de dólares de junho, segundo dados da Administração Geral da Alfândega (AGA) do país. Isso se deve ao aumento das importações: a entrada de mercadorias no país cresceu 4,1%, atingindo 223,5 bilhões de dólares – o maior crescimento em um ano. Em junho, esse indicador era de 1,1%, enquanto analistas da Trading Economics esperavam uma desaceleração para 1%. No entanto, especialistas são cautelosos em concluir sobre o fortalecimento da demanda interna, sugerindo que o aumento das compras pode ser resultado do acúmulo de estoques antes de agosto. Vale lembrar que a “trégua” comercial entre Washington e Pequim termina em meados de agosto, e as futuras taxas de tarifas – atualmente 10% para produtos americanos na China e 30% para produtos chineses nos EUA – permanecem incertas.
Em meio a tal incerteza, o crescimento das exportações chinesas também acelerou em julho. As remessas aumentaram 7,2%, atingindo 321,8 bilhões de dólares, o maior índice desde abril. Analistas previam um crescimento de 5,4% após os 5,8% de junho. No entanto, o comércio com os EUA continuou a encolher. Apesar da redução de algumas tarifas, as importações americanas para a China totalizaram 12,08 bilhões de dólares (em comparação com 14,9 bilhões no ano anterior), e as exportações chinesas para os EUA foram de 35,8 bilhões de dólares (contra 45,7 bilhões). A diminuição do volume de negócios pode ser uma consequência das tarifas setoriais americanas, incluindo as sobre automóveis, e das restrições à importação de chips chineses.
Quanto às exportações de produtos chineses para a Federação Russa em julho, elas mostraram um crescimento de 9,6% em termos mensais, mas uma queda de 9,2% em termos anuais, totalizando 9,1 bilhões de dólares. A redução em termos anuais pode estar relacionada à baixa atividade do consumidor na Rússia. Ao mesmo tempo, a importação de produtos russos, apesar da queda dos preços do petróleo, aumentou 7,8% mês a mês e 4,1% ano a ano, atingindo 10,1 bilhões de dólares, o que provavelmente se explica pela resolução parcial de problemas de pagamentos.
É particularmente notável o crescimento significativo das exportações chinesas para os países da ASEAN em julho: as exportações para esta região aumentaram 16,6%, para 54,6 bilhões de dólares, segundo dados da AGA. Essa dinâmica, aparentemente, é explicada pelo desejo dos fornecedores de aumentar os volumes de remessas antes da introdução de tarifas mais altas sobre a reexportação. Washington, por sua vez, alega que as empresas chinesas estão contornando as tarifas importando mercadorias para os EUA através de terceiros países e pretende coibir essa prática. Assim, a partir de 7 de agosto, as mercadorias enviadas para os EUA via Vietnã sem “processamento substancial” estão sujeitas a uma tarifa de 40%.
As estatísticas atuais ainda não permitem uma avaliação completa do progresso da China na diversificação de suas cadeias de suprimentos. Não é possível determinar com precisão qual parte dos produtos exportados se destina diretamente ao consumo nos países da ASEAN e em outros parceiros comerciais, e qual é redirecionada de lá para os EUA. No entanto, um estudo intitulado “Riscos no Novo Cenário do Comércio Global”, publicado no portal de pesquisa europeu CERP, mostra que o processo de conquista de novos mercados pela China continua de uma forma ou de outra. Os autores do estudo sugerem que a China pretende, gradualmente, afastar-se da concorrência baseada em preços como principal vantagem, adotando ativamente abordagens inovadoras para melhorar a qualidade dos produtos e competir com os fabricantes locais. A intensificação da atividade de patentes na China também aponta para essa tendência.
