No Museu de Arte Moderna de Moscou (MMOMA), uma exposição inovadora, que emprega tecnologias contemporâneas, abriu suas portas.
A Essência da “Realidade Fragmentada”
Trata-se da exposição imersiva de Maria Arkhipova, intitulada «Realidade Fragmentada». Esta exposição gera grande interesse, combinando realidade virtual e outras inovações computacionais. Ela explora como a interação entre humanos e máquinas pode auxiliar na reconstituição de fragmentos históricos perdidos, além de analisar os erros potenciais que surgem nesse processo.

Maria Arkhipova. Mosaico aumentado com microchips.
Vale ressaltar que a autora abordou esta exposição com a mentalidade de `nada está claro, mas é extremamente intrigante`. Sendo uma humanista e não muito familiarizada com as tecnologias modernas, enfrentei desafios divertidos: os óculos de realidade virtual recusaram-se a funcionar na minha cabeça por duas vezes. Somente na terceira tentativa consegui, de fato, mergulhar nessa realidade paralela. Mas vamos por partes.
O tamanho da exposição é bastante compacto, o que é uma vantagem para quem se inicia na arte da mídia, que está a ganhar popularidade. Uma abordagem tão dosada é ideal, pois a compreensão das obras apresentadas requer tempo.
Tecnologia e a Subjetividade Histórica
A proposta da exposição é que `as tecnologias reconstituem vestígios dispersos da Antiguidade, oferecendo sua própria interpretação da realidade`. Isso é particularmente fascinante, pois as máquinas percebem o mundo e a história de forma completamente diferente dos humanos — com total indiferença. A descrição da exposição afirma que `o fragmento se transforma em pixel, e o erro — em um recurso expressivo`. Assim como na literatura, onde um zeugma pode ser tanto um erro grave quanto um recurso estilístico engenhoso (por exemplo, `ela dominava o francês e o poodle anão`), o mesmo princípio se aplica aqui às tecnologias. No entanto, os `erros` do computador não provocam riso, mas sim uma sensação de estranheza. Nessas falhas, que surgem quando a máquina tenta reconstruir o passado, buscamos um significado mais profundo. A mensagem principal da exposição é extremamente pertinente: `Qualquer reconstrução histórica é inerentemente subjetiva; a diferença reside apenas na honestidade com que reconhecemos nossas próprias suposições`. Isso aborda a substituição de fatos e a distorção histórica.
As explicações nas paredes parecem falar com uma voz `máquina`, lembrando as entonações robotizadas de filmes de ficção científica. Basta ler com atenção para sentir: `Você está dentro de uma reconstrução digital. O que você vê não é uma reprodução exata, mas uma tentativa da máquina de relembrar o passado. Cada objeto nesta sala é uma falha de memória, um ruído digital, um erro visual que se torna parte da intenção artística`. No geral, é bastante assustador.
A Experiência Imersiva e a “Arqueologia Digital”
A exposição apresenta objetos duplos: abaixo do vidro, o artefato original; acima, uma tela que o reconstrói digitalmente. Com a visualização 3D, os pixels formam uma imagem que se assemelha ao original, mas ainda distante da realidade. A máquina oferece sua própria `explicação`, um tanto fantasiosa, como prometido. Mas o destaque da sala foram os óculos de realidade virtual, para os quais se formou imediatamente uma fila de interessados em mergulhar em outro mundo. A sala em si, seus artefatos e o que é demonstrado em realidade virtual constituem a `arqueologia digital`. Entramos numa vila romana antiga no território da Grã-Bretanha moderna, mas de forma simulada, por métodos digitais. Curiosamente, a realidade virtual não nos aceitou duas vezes. Na primeira vez, o programa falhou e ofereceu configurações estranhas, mas os óculos não reagiram a nenhum botão. Não vimos a vila. Quando esperamos na fila pela segunda vez, meia hora depois, os óculos simplesmente desligaram em nós e mostraram uma tela preta. Só na terceira tentativa, como se diz, `a travessura deu certo`, e pudemos passear pelas ruínas romanas antigas pixelizadas.
Mosaicos Híbridos e a Fragilidade da História
A segunda sala era mais acessível e compreensível para o público em geral. Aqui, são exibidos fragmentos de arte monumental: belíssimos mosaicos (físicos, não virtuais), restaurados, mas… com o uso de microchips. Não se percebe imediatamente o truque. Isso realça a fragilidade da história, que, como um vidro fino, facilmente se racha e quebra, e restaurá-la `como era` muitas vezes é impossível. Por toda parte, encontramos `falhas` semelhantes, e estas são, na maioria das vezes, causadas não por máquinas, como neste caso, mas por fatores humanos. O mais assustador é quando esses `bugs` são intencionais, e não acidentais.
Por fim, quando tentamos encontrar informações adicionais sobre a artista, todos os sites que continham dados sobre Maria Arkhipova ficaram subitamente inacessíveis, enquanto outros recursos funcionavam perfeitamente. Não foi possível abri-los. Mais um `erro` da máquina. Será que foi por acaso?
