Extrassensos na TV: Imagens assustadoramente normais

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Crítica de TV da Semana

O programa “Batalha de Extrassensos” já é percebido como algo tão constante e quase rotineiro na televisão quanto um noticiário. No entanto, as aventuras de bruxos, magos e outros representantes de profissões interessantes são agora apresentadas com uma nova roupagem, que não tem nada de fantasiosa.

Extrassensos na TV com nova imagem

Na nova temporada de “Extrassensos: Batalha dos Mais Fortes”, os participantes continuam a realizar suas tarefas habituais: procurar fantasmas, lidar com maldições familiares e outras adversidades da vida. Mas os próprios extrassensos estão mudando rapidamente, transformando-se em uma espécie de estrelas pop. Mariana Romanova e Alexander Sheps, provavelmente, são tão populares quanto Olga Buzova e Philipp Kirkorov. Admitir que não se conhece essas pessoas é provocar olhares de perplexidade e, figurativamente, até atrair má sorte.

Não faz muito tempo, os extrassensos da TV pareciam personagens de contos de fadas, como a Baba Yaga ou o Leshy. Agora, porém, são tratados como designers de interiores ou psicólogos. Não há capuzes, olhares carrancudos ou movimentos assustadores. Em novas sessões de fotos, os extrassensos vestem roupas da moda e trabalham cuidadosamente suas imagens, o que provavelmente visa convencer o público da absoluta normalidade de tudo o que acontece.

Isso não é mais “trash” nem entretenimento para fãs de fantasia. É um programa de televisão bastante mundano, praticamente um show para toda a família. E é exatamente por isso que tudo o que acontece na tela adquire uma aparência duplamente sinistra. Fica a pergunta: será possível remover a “maldição” dos produtores de televisão?

Chega de Festa

A crescente escassez de filmes importados força os produtores de canais a examinar cuidadosamente o catálogo local. Às vezes, encontram-se exemplares curiosos. Entre eles, sem dúvida, está o filme “Pelos Bares”, exibido nesta semana.

A comédia, estrelada por Pavel Tabakov, Eldar Kalimulin, Ingrid Olerinskaya e outros atores jovens (com Alexander Lazarev Jr. como uma participação especial), em parte se assemelha a “O Que Os Homens Falam”. Quatro amigos de escola, cuja irmandade é cada vez mais desafiada pela vida adulta, decidem fazer uma “maratona” noturna de bares em Moscou, como nos velhos tempos e, talvez, pela última vez. O resultado são eventos barulhentos, lágrimas, brigas e revelações sobre diversos assuntos.

O filme não oferece nada que os roteiristas locais já não tenham apresentado. Humor mediano, diálogos que soam artificiais e uma profusão de clichês. No entanto, “Pelos Bares” pode ser considerado um interessante artefato de uma era que está sendo, a todo custo, deixada para trás.

Um “bar-hopping” pelos estabelecimentos noturnos da área central de Moscou, interpretado por “fashionistas” da capital com ocupações “adequadas” (um deles é até um astro de rock com olhos maquiados)? Isso não está mais na moda, pois é visto como uma vida sem propósito e dissipada. Reflexões de espírito livre sobre a intenção de construir a vida de acordo com as próprias regras, e entre essas intenções, o desejo de não levar os romances à rotina familiar, porque é chato e desinteressante? Simplesmente impensável e totalmente em desacordo com o que é proclamado dos palanques. E, finalmente, conversas sobre amizade masculina de uma forma muito sentimental. Meio suspeito, ou quase ilegal.

E o próprio lazer. O que é esse tal de “bar-hopping”? Vinte bares em uma noite, e depois uma sopa para ressaca, quando pessoas normais já estão se preparando para o trabalho? Quase todas as aventuras simples e previsíveis dos heróis do filme parecem desconectadas da vida que agora é considerada “correta”. Provavelmente, “Pelos Bares” deve ser lembrado como uma festa decadente e selvagem antes de uma nova imersão no realismo socialista. Chega de festa.