O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, indicou um possível alívio na política monetária dos EUA.
O Federal Reserve (Fed) dos EUA pode considerar a redução da taxa de juros básica em setembro, devido aos crescentes riscos para o mercado de trabalho americano. Esta indicação foi dada pelo presidente da instituição, Jerome Powell, durante a conferência anual em Jackson Hole. No entanto, a preocupação do Fed com a possível aceleração da inflação nos EUA, impulsionada pelas tarifas, sugere que um alívio abrupto da política monetária não está em pauta. A fala de Powell foi notadamente um contraponto à retórica de Donald Trump, reforçando que as decisões são tomadas exclusivamente com base em dados econômicos, e não sob pressão política.
O simpósio bancário anual em Jackson Hole, um evento apoiado pelo Fed, atraiu atenção particularmente intensa este ano. Devido à peculiar política econômica de Donald Trump, o regulador manteve a taxa de juros entre 4,25% e 4,5% ao ano desde dezembro de 2024. As empresas acompanham de perto as declarações dos membros do conselho de governadores do Fed, na esperança de um sinal de reversão da política monetária. A atenção ao simpósio foi ainda maior por ser o último para o presidente do regulador, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio de 2026.
Em seu discurso em Jackson Hole, o Sr. Powell evitou fazer promessas diretas, mas deixou claro que uma redução da taxa de juros na reunião de setembro do Fed é uma possibilidade.
A probabilidade desse cenário, conforme seu discurso, é indicada pelos dados recentes sobre o mercado de trabalho. O desemprego nos EUA subiu para 4,2% (de 4,1% em junho), e a criação de empregos foi de 73 mil (consideravelmente abaixo da previsão de 110 mil) — o crescimento do emprego foi observado apenas na saúde e assistência social, enquanto outros setores registraram declínios mais ou menos significativos. Além disso, os dados de junho e maio foram revisados, mostrando um aumento de apenas 14 mil e 19 mil empregos, respectivamente (as estimativas preliminares eram de 147 mil e 144 mil).
“Embora o mercado de trabalho pareça equilibrado, é um equilíbrio incomum, impulsionado por uma desaceleração notável tanto na oferta quanto na demanda de mão de obra”, afirmou o Sr. Powell. Segundo suas avaliações, essa situação atípica aumenta os riscos de uma queda no emprego, que podem se materializar nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, a dinâmica da inflação também é vista com preocupação pelo Fed. Jerome Powell reconheceu que sua aceleração é, em grande parte, uma consequência da política tarifária dos EUA.
Em junho, este indicador atingiu 2,6%, após 2,4% em maio e 2,2% em abril. O Fed acredita que a aceleração da inflação, já “ligeiramente elevada”, pode continuar. Segundo o Sr. Powell, os riscos, agora inclinados para cima, precisam ser “avaliados e monitorados”.
Considerando a necessidade de equilibrar o sucesso na obtenção de seus dois objetivos de mandato (estabilidade de preços e um mercado de trabalho forte), o regulador agirá com cautela. A taxa de juros principal pode ser reduzida em 25, e não em 50, pontos-base, como se supunha anteriormente. Outros membros do conselho de governadores do Fed já haviam sugerido um corte mais acentuado, possivelmente buscando ganhar pontos na disputa pelo cargo de presidente do regulador. O novo líder do Fed será nomeado por Donald Trump, que desde o início de seu mandato presidencial insiste em um alívio imediato da política monetária.
De modo geral, o discurso de Jerome Powell, que se baseou em estatísticas econômicas recentes, visava, entre outras coisas, a demonstrar que a provável redução da taxa de juros em setembro não é resultado da pressão de Donald Trump, mas sim uma decisão que pode ser tomada apenas após a avaliação dos dados.
