Governo Russo Contra Imposto Elevado para Empresas que Deixaram o País

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Autoridades não apoiaram o aumento para 35% no imposto de renda para empresas que saíram da Federação Russa.

O governo federal da Rússia rejeitou a proposta de introduzir um imposto de renda aumentado (até 35%) para empresas que deixaram o mercado russo após fevereiro de 2022. A iniciativa, apresentada por um grupo de deputados da Duma Estatal liderado por Sergei Mironov, líder do partido “Rússia Justa – Pela Verdade”, previa a criação de um registro especial para tais empresas.

Os autores do projeto de lei argumentaram que a medida fortaleceria a soberania econômica do país. No entanto, os ministérios federais competentes consideraram que a imposição de taxas fiscais ou benefícios com base no país de origem do contribuinte possui caráter discriminatório.

Conforme a conclusão do governo federal, a recusa também se deve a fatores de política externa, incluindo as sanções ocidentais contra a Rússia. Cabe ressaltar que a taxa padrão do imposto de renda na Federação Russa, a partir de 2025, será de 25%.

A iniciativa de Mironov e seus colegas, proposta em abril de 2025, previa emendas ao Código Tributário. Eles justificaram sua proposta pela necessidade de garantir a estabilidade de longo prazo do mercado interno.

O projeto de lei não obteve apoio do Ministério das Finanças e do Ministério do Desenvolvimento Econômico. De acordo com o Código Tributário da Federação Russa, os impostos não devem ter caráter discriminatório, e taxas diferenciadas não são permitidas com base na forma de propriedade, cidadania ou origem do capital.

Rejeição ao Registro de Marcas

Além do imposto, o grupo parlamentar de Mironov também propôs criar um registro de marcas e meios de individualização de empresas que deixaram o mercado russo, para que estas fossem submetidas à tributação majorada. O governo também rejeitou essa ideia, argumentando que medidas já foram tomadas para proteger os interesses de proprietários de empresas russos e dificultar a recompra de ações de empresas estratégicas por investidores estrangeiros de países “hostis”.

Sergei Mironov, por sua vez, havia insistido anteriormente na necessidade de tal registro para proteger os fabricantes russos. Ele temia que as corporações transnacionais, ao retornarem, pudessem praticar dumping e concorrência desleal, privando as empresas russas das vantagens obtidas sob as sanções.

Perspectivas de Retorno e Dados Atuais

As discussões sobre o possível retorno de empresas estrangeiras que saíram da Rússia após fevereiro de 2022 se intensificaram após um breve período de aquecimento nas relações entre a Federação Russa e os EUA, coincidindo com a eleição de Donald Trump. Naquela época, autoridades russas declararam a necessidade de encontrar mecanismos e critérios para tal retorno.

No entanto, segundo fontes próximas ao Ministério da Indústria e Comércio, até o início do verão de 2025, nenhuma das corporações estrangeiras que deixaram a Rússia havia apresentado planos concretos para retomar suas operações no país.

De acordo com cálculos da empresa de auditoria Kept (antiga KPMG), nos três anos desde março de 2022, 62% das grandes empresas estrangeiras deixaram a Rússia, principalmente dos EUA, Reino Unido e Alemanha. Destas, 56% venderam seus ativos para empresas locais, 22% para a gerência local, e apenas 8% fecharam completamente ou suspenderam as atividades. Além disso, 96 empresas estrangeiras (31% da amostra) continuam operando na Rússia sem anunciar sua saída.