Governo Russo e Acessibilidade da Moradia: Sessão Estratégica em Busca de Soluções

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O Primeiro-Ministro Mikhail Mishustin discute programas de hipoteca, redução de custos e as perspectivas do setor de construção

Diante de uma perceptível queda na demanda no mercado imobiliário, o governo russo realizou uma sessão estratégica para abordar a questão da acessibilidade da moradia para a população. Os debates focaram no aprimoramento dos mecanismos de hipoteca e na implementação de medidas para reduzir o custo da construção. Este último objetivo visa diminuir os gastos das construtoras através da otimização do ciclo de investimento e construção, da adoção ativa de tecnologias digitais e do aumento da produtividade do trabalho.

Prioridades Nacionais e Potencial do Setor

Na abertura da sessão, em 2 de setembro, o Primeiro-Ministro Mikhail Mishustin reforçou a importância de alcançar a meta nacional de edificar 660 milhões de metros quadrados de moradias até 2030. Ele destacou o vigoroso crescimento do setor de construção em anos anteriores e enfatizou a necessidade de preservar e impulsionar esse potencial acumulado.

Cenário Atual e Projeções Futuras

Apesar de uma desaceleração no ritmo de entrega de moradias este ano, com 59,6 milhões de m² entre janeiro e julho (uma redução de 4% em comparação com 2024), a previsão geral para o ano permanece otimista, estimando-se no mínimo 100 milhões de m². Contudo, a maior preocupação reside nas perspectivas para 2027, dado que as construtoras já estão diminuindo o lançamento de novos projetos (uma queda de 19% ano a ano de janeiro a julho). Esta retração na atividade é diretamente atribuída à diminuição da demanda, impulsionada pelas altas taxas de juros de mercado após o término do programa de hipoteca subsidiada em massa, em 1º de julho de 2024.

De acordo com dados da DOM.RF, as vendas de imóveis novos nos primeiros sete meses do ano caíram 22% em comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 12,3 milhões de m².

Iniciativas Governamentais e Apoio ao Mercado

Para revitalizar a demanda, o governo já implementou uma série de ações. Notavelmente, os principais bancos cancelaram as comissões cobradas das construtoras na concessão de hipotecas com apoio estatal, e os limites dos programas de hipoteca existentes foram ampliados. Em colaboração com o Banco Central, está em desenvolvimento uma proposta para subsidiar temporariamente as taxas de juros do financiamento de projetos, especialmente em cidades de pequeno porte. A iniciativa prevê o subsídio de taxas de até 12% para projetos residenciais com entrega prevista para 2026-2027 em localidades com menos de 100 mil habitantes, desde que as contas de garantia (escrow accounts) estejam com um nível de preenchimento entre 20% e 50%.

Após a sessão, o Vice-Primeiro-Ministro Marat Khusnullin informou que os temas centrais foram o avanço dos programas de hipoteca subsidiada e a contenção dos custos de construção, em um contexto de encarecimento de materiais e mão de obra.

A estratégia para reduzir custos inclui a contínua diminuição do ciclo de investimento e construção, o incremento da produtividade do trabalho e a ampla digitalização da indústria.

Perspectivas do Ministério da Construção e Contribuições de Especialistas

O Ministério da Construção ressaltou que a acessibilidade da moradia está intrinsecamente ligada ao volume de oferta no mercado. O órgão observou que o setor tem apresentado bons resultados graças a medidas de apoio estatal, particularmente a “Hipoteca Familiar”. Os esforços para aumentar a acessibilidade prosseguem no âmbito do projeto nacional “Infraestrutura para a Vida”, embora novas propostas concretas não tenham sido detalhadas.

Desafios Adicionais e Recomendações

Anton Glushkov, presidente da NOSTROY, identifica oportunidades adicionais para impulsionar a eficiência da construção por meio da digitalização, especialmente na otimização das cadeias logísticas e dos processos de suprimentos. Ele defende, ainda, a implementação de medidas abrangentes de apoio tanto aos cidadãos quanto ao setor de construção, sugerindo a introdução de uma dedução fiscal para despesas com aluguel de moradia e a extensão da moratória sobre a cobrança de penalidades de construtoras para o período após 31 de dezembro de 2025.