A nova política tarifária dos EUA e as disputas comerciais dela decorrentes podem desviar a atenção dos governos dos objetivos de desenvolvimento sustentável, desacelerando, assim, a implementação de fontes de energia renováveis (FER) na União Europeia. Esta é a conclusão de um estudo da McKinsey, realizado em colaboração com a Oxford Economics. Os analistas apresentaram três cenários de desenvolvimento, prevendo a capacidade instalada de FER na Europa e nos EUA até 2035.
Cenário 1: Manutenção das Tarifas Atuais
O primeiro cenário prevê a manutenção das tarifas americanas nos níveis do final de 2024, quando as baterias chinesas eram taxadas em 25% e os painéis solares em 50%. Neste caso, espera-se um crescimento significativo da energia solar: nos EUA, a capacidade instalada aumentará 2,5 vezes, atingindo 553 GW, em comparação com os atuais 221 GW até 2035. Na UE, prevê-se um crescimento de mais de duas vezes, chegando a 750 GW até 2035 (partindo de 362 GW em 2025). Este cenário é vantajoso para a UE, pois a ausência de um confronto comercial aberto entre os EUA e a China permitirá evitar o aumento das tarifas sobre os produtos “verdes” chineses, mantendo o ritmo da transição energética.

Cenário 2: Tarifas “Moderadas” de Donald Trump
O segundo cenário descreve a introdução de tarifas “moderadas” por Donald Trump, incluindo 20% de imposto para a China e 25% para o México e Canadá. Os analistas acreditam que esta opção não causará grandes perturbações no comércio global. Para a União Europeia, o crescimento da capacidade de energia solar até 2035 permanecerá no mesmo nível do primeiro cenário. No entanto, para os EUA, as consequências serão mais perceptíveis: devido à dependência das importações chinesas, os indicadores de capacidade atingirão apenas 512 GW em vez dos 553 GW.
Cenário 3: Intensificação das Tensões Comerciais Globais
O terceiro, e mais pessimista, cenário prevê um agravamento significativo das tensões comerciais globais: as tarifas sobre produtos da China aumentarão para 60%, e sobre produtos da maioria dos outros parceiros comerciais dos EUA – acima de 20%. A complexificação das cadeias de suprimentos levará a uma desaceleração no crescimento da energia solar tanto na UE quanto nos EUA, onde os indicadores serão 7% e 9% mais baixos, respectivamente, em comparação com o primeiro cenário. É importante notar que o ritmo de implementação da energia eólica será menos afetado, uma vez que as cadeias de suprimentos de equipamentos para ela são mais diversificadas.
