Clipes de IA de Kirkorov e Slava são comparados a personagens de filmes de terror.
A disputa entre a criação humana e a inteligência artificial intensifica-se no universo audiovisual. Embora a produção de videoclipes à moda antiga, com cenários reais e artistas presentes, possa parecer uma prática em desuso, muitos trabalhos gerados por IA, em contraste, provocam repulsa pela sua falta de bom gosto e excesso de artificialidade.

Foto: Redes Sociais
Recentemente, Slava e Filipp Kirkorov lançaram quase simultaneamente suas novas produções. Slava apresentou uma fantasia criada por IA para a música “Um Raio Atravessa o Coração”, enquanto Kirkorov lançou um clipe para “Solitária e Gentil”, também desenvolvido com o auxílio da inteligência artificial.
Ambos os resultados são bastante cômicos. As representações digitais dos astros pop (o que nos leva a perguntar: por quê? Eles ainda estão vivos, não são como um Vysotsky ou Tsoi, ou um Michael Jackson com uma ABBA `jovem`) assemelham-se estranhamente a mutantes grotescos ou personagens de filmes de terror. Um deles exibe uma protuberância na testa e uma expressão facial com sinais claros de anomalias congênitas; a outra possui uma cabeça que lembra um réptil, vivendo de forma desconectada do corpo. As emoções transmitidas são igualmente artificiais.
Talvez essa seja a nova estética de vídeo. É possível que esteja na moda, mas assistir a essas “criações” até o fim é não apenas difícil, mas agonizante. Mais desafiador ainda é entender por que os artistas optariam por se desfigurar dessa forma. Certamente, os artistas-clientes não apenas aprovaram o produto de diretores de TI desajeitados, se não cegos, mas também se orgulham muito dele. Tanto Slava quanto Kirkorov possuem carisma e charme (ainda que peculiares, para gostos específicos), e suas versões ao vivo são, por enquanto, muito superiores às suas contrapartes geradas por IA. Aliás, as animações antigas, quando os computadores já existiam, mas a IA não, pareciam consideravelmente mais encantadoras.

Foto: Redes Sociais
Contudo, parece haver razões de ordem superior, compreendidas apenas pelas próprias estrelas. Para nós, espectadores, resta a escolha: arrepiar-nos de horror, se possuirmos um mínimo senso de estética e beleza, ou digitar comentários “entusiasmados” com bots, espalhando elogios falsos nas seções de comentários das redes sociais, provavelmente com a ajuda de moderadores bem pagos.
Nesse contexto, o videoclipe de Victoria Makarskaya para a música “Pássaros Brancos” surge como um exemplo de bom senso. Embora também seja inteiramente criado por programas de inteligência artificial, pelo menos não apresenta caricaturas assustadoras. É possível, afinal!
Em outro vídeo, proposto pelo diretor Anton Fyodorov para a canção “Permita-me” da banda Kino, tudo é surpreendentemente real (até de forma `fora de moda` atualmente) e filmado em locais reconhecíveis de São Petersburgo. No entanto, mesmo aqui, fãs de longa data encontraram motivos para discórdia e, em vez de elogios, inundaram as redes sociais com críticas furiosas. A coluna “ZD” observa atentamente as novidades em vídeo e tenta tirar conclusões.
