Um final inesperado para a saga heroica no cinema
O surpreendente fenômeno da velha guarda do rock, que inclui nomes como Mick Jagger e Steven Tyler, continua a maravilhar o público com sua resiliência e uma fonte inesgotável de energia criativa e física. E mais uma vez, o “padrinho do punk”, Iggy Pop, de 78 anos, se encontra no centro das atenções de um público surpreso e entusiasmado. Embora, claro, Iggy Pop nunca tenha sofrido com a falta de atenção.

Seu carisma, energia transbordante, excelente forma física e excentricidade inabalável — qualidades que, em princípio, nunca foram questionadas — estão novamente agitando palcos de shows na Europa. Além disso, o “vovô punk” surgiu com uma inesperada surpresa cinematográfica, transformando o final da mais recente saga do Superman em ruínas punk.
A poderosa turnê de Iggy Pop, que já causou uma explosão de entusiasmo não apenas entre fãs, mas também entre críticos, está esgotada (“sold-out”) até o final de setembro, com mais de vinte shows e festivais ao ar livre pela Europa, EUA e América do Sul. Tendo começado em junho no festival In The Meadows, em Dublin, Iggy Pop varre os palcos como um furacão punk e pretende encerrar sua “terapia” rock alternativa da temporada atual no final de setembro no festival Under The K Bridge, em Nova York.
Público e críticos, ao contrário de dúvidas passadas, agora preferem definições exclusivamente elogiosas, mostrando respeito pelos seus “cabelos grisalhos punk” e “excentricidade no limite, ou até além dele”, o que é admirável, especialmente considerando a idade do “roqueiro arruaceiro”.
Além disso, o “ícone punk” não está apenas “parasitando” conquistas passadas, mas continua a encontrar a audácia e a força para revelações criativas novas e inesperadas. Os créditos finais do novo filme de quadrinhos “Superman”, de James Gunn, não terminam com uma orquestra épica, como de costume, mas sim com uma faixa esquecida de Iggy Pop do meio dos anos 2000, “Punkrocker”, gravada em colaboração com a banda sueca Teddybears.
Essa escolha musical dos criadores do mais recente épico de ficção heroica não foi acidental; pelo contrário, é sustentada por uma concepção “profunda”. Ao longo do filme, os personagens discutem repetidamente o que significa ser “punk” — o motivo se torna um leitmotiv e leva simbolicamente à música final. Dá a sensação de que esses diálogos e “ganchos” de humor foram criados propositalmente, talvez até de forma forçada, apenas para encaixar o “velhote Iggy” na trilha sonora como um final épico. Em vez do heroísmo banal, “Punkrocker” define uma entonação completamente diferente: o herói como um pária, como alguém entre mundos, como um marginal cultural… Essa foi a transformação que aconteceu com o Superman: o coitado ficou todo atormentado sob os lamentos melancólicos do patriarca punk.
A versão original de “Punkrocker” com a participação de Iggy Pop foi lançada no álbum “Soft Machine” do Teddybears em 2006. Inicialmente, a música havia sido gravada sem ele no disco “Rock‘n’Roll Highschool” em 2000. A interpretação com Iggy adicionou ainda mais cor sombria e irônica à faixa já melancólica: ritmos industriais, um clima punk e uma voz cheia de distanciamento. Críticos já notaram que esse clima contrasta radicalmente com a imagem habitual do Superman como um símbolo de perfeição. Mas é assim que é. E quem está se divertindo agora?…
