A aproximação cultural entre Rússia e Índia vai além das relações políticas, fortalecendo os laços literários.
Em 3 de setembro, Moscou sediou a 38ª Feira Internacional do Livro, onde a Índia foi homenageada com o status de convidada de honra. A cerimônia de abertura do pavilhão indiano contou com a presença do embaixador da Índia, Vinay Kumar, sublinhando a importância do intercâmbio cultural entre as nações.

Na exposição, foram apresentados livros de autores indianos traduzidos para o russo, demonstrando a riqueza da literatura indiana. Além da Índia, a feira contou com a participação de representantes da Bielorrússia, Irã, China, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Coreia do Norte, o que enfatizou seu caráter internacional.
A abertura da seção indiana foi marcada por discursos de altas autoridades, incluindo Vladimir Grigoriev do Ministério do Desenvolvimento Digital e Mikhail Shvydkoy, representante especial do presidente russo para cooperação cultural internacional. Shvydkoy destacou o crescente interesse pela literatura indiana na Rússia, mencionando a disponibilidade de muitas obras indianas contemporâneas.
O embaixador da Índia, Vinay Kumar, ao recordar a imagem da Rússia leitora dos anos 70, enfatizou o valor compartilhado do conhecimento por ambos os países e expressou confiança de que a participação da Índia como convidada de honra aprofunda os laços culturais e a troca de experiências. No âmbito do evento, foram apresentados 22 livros da Fundação Nacional do Livro da Índia, traduzidos para o russo. Entre outros convidados de honra, estiveram o vice-ministro da Educação da Índia, Govinda Jaiswal, e o representante do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Alimov.
A feira também sediou um fascinante seminário intitulado “O Eco Literário Através dos Séculos: Um Diálogo entre Lu Xun e Maxim Gorky”, que explorou os princípios espirituais comuns da literatura chinesa e russa. Lu Xun, um renomado clássico chinês e defensor de visões de esquerda, desempenhou um papel fundamental na popularização da literatura russa na China, traduzindo obras e criando as suas próprias sob a influência de autores russos, como uma versão chinesa de “Diário de um Louco” inspirada em Gogol. Sua obra “A Verdadeira História de Ah Q” foi traduzida para o russo em 1929. A comparação entre Lu Xun e Gorky, como “revolucionários da cultura” de seu tempo, revelou suas aspirações comuns: refletir a consciência popular, expor problemas sociais e inspirar mudanças, bem como suas abordagens inovadoras à literatura.
Em sintonia com o espírito do século XXI, a feira incluiu um painel de discussão sobre “Inteligência Artificial na Literatura Moderna”, com a participação de Maxim Zamshev, Elberd Gagloev, Svetlana Roznalevich e Victoria Balashova. As questões centrais foram se a IA é uma ferramenta útil ou uma ameaça ao progresso criativo, e se as obras criadas por IA podem ser consideradas literatura genuína. Os especialistas concordaram que, embora a IA seja amplamente utilizada para gerar textos, ela não pode substituir a verdadeira criatividade humana. A IA pode produzir textos medíocres, mas a literatura autêntica exige intelecto e sensibilidade humanos.
Maxim Zamshev enfatizou que a IA é uma ferramenta, não um concorrente, e sugeriu que a regulamentação do processo literário que utiliza IA seja transferida para o Ministério do Desenvolvimento Digital, mantendo a literatura tradicional sob a égide do Ministério da Cultura.
