
Uma equipe de cientistas da Universidade de Zurique e do Hospital Universitário de Zurique descobriu que a exposição prolongada ao ar poluído pode causar sérias alterações no metabolismo do corpo. Isso, por sua vez, aumenta significativamente o risco de desenvolver condições como resistência à insulina, obesidade e diabetes tipo 2. Em um estudo publicado na revista JCI Insight, foi demonstrado que as minúsculas partículas PM2.5 – um dos tipos predominantes de poluição em ambientes urbanos – são capazes de afetar negativamente a função do tecido adiposo marrom. Este tecido desempenha um papel crucial na queima de calorias e na manutenção de níveis saudáveis de açúcar no sangue.
Experimentos conduzidos em camundongos, que foram expostos ao ar poluído por 24 semanas, revelaram resultados preocupantes: a gordura marrom desses animais perdeu a capacidade de processar lipídios e gerar calor de forma eficiente. Os pesquisadores registraram alterações na expressão de genes responsáveis pelo metabolismo energético, bem como sinais claros de danos teciduais. Uma análise aprofundada adicional permitiu estabelecer que a base dessas mudanças reside em mecanismos epigenéticos – uma reconfiguração sutil, mas significativa do DNA, que não altera o código genético em si.
Foi identificada a função crucial de duas enzimas, HDAC9 e KDM2B, que, essencialmente, `reprogramam` a atividade genética do tecido adiposo marrom. Quando os pesquisadores suprimiram artificialmente a atividade dessas enzimas, os processos metabólicos nos animais de teste foram restaurados. O Professor Francesco Paneni, que liderou a pesquisa, observou que esses dados explicam pela primeira vez como a poluição do ar afeta diretamente o metabolismo humano. Esta descoberta também sugere novas direções para o desenvolvimento de métodos de prevenção e tratamento de distúrbios metabólicos.
Os cientistas enfatizam a relevância particular dessas descobertas para os moradores de grandes metrópoles, onde a concentração de partículas PM2.5 frequentemente excede significativamente os padrões de segurança estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde. Segundo eles, a melhoria da qualidade do ar nas cidades pode se tornar um fator tão importante na luta global contra o diabetes e a obesidade quanto os métodos tradicionais, como uma dieta saudável e exercícios físicos regulares.
