
Agonistas de receptores de peptídeo-1 semelhantes ao glucagon (GLP-1 RAs), conhecidos por sua eficácia no controle do açúcar no sangue, podem oferecer muito mais do que se pensava. Uma grande pesquisa, publicada recentemente na JAMA Network Open, revelou que esses medicamentos também são capazes de diminuir significativamente o risco de demência, acidente vascular cerebral isquêmico e morte prematura em indivíduos diagnosticados com diabetes tipo 2 e obesidade.
O estudo, de grande envergadura, analisou dados de 60.860 pacientes adultos com mais de 40 anos. Uma parcela desses participantes recebeu medicamentos à base de GLP-1, incluindo substâncias como semaglutida e tirzepatida, enquanto a outra parte utilizou outros tipos de agentes hipoglicemiantes. O período de observação e acompanhamento dos pacientes durou, em média, sete anos.
Os resultados foram notáveis: em comparação com o grupo de controle que tomava outros medicamentos, os pacientes que utilizaram GLP-1 RAs apresentaram uma redução de 37% no risco de desenvolver demência, uma diminuição de 19% no risco de acidente vascular cerebral isquêmico e uma impressionante redução de 30% no risco de morte por todas as causas. Os benefícios foram ainda mais pronunciados em mulheres, pacientes com idade superior a 60 anos e indivíduos com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 40 kg/m².
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo enfatizam que essas descobertas abrem novas e promissoras perspectivas para a aplicação dos GLP-1 RAs. Eles podem se tornar uma ferramenta valiosa na prevenção de complicações neurológicas e vasculares em populações consideradas de alto risco.
É importante ressaltar que, anteriormente, uma análise abrangente já havia desmistificado preocupações sobre a semaglutida, o princípio ativo presente em medicamentos como o ‘Ozempic’. Essa análise concluiu que a substância não está associada a um aumento no risco de pensamentos suicidas, refutando temores iniciais que haviam surgido.
