Novas Regras para Clínicas Privadas no Sistema OMS Russo

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O Ministério da Saúde da Rússia pretende endurecer o acesso de clínicas privadas ao sistema de seguro de saúde obrigatório (OMS).

A partir de 2026, clínicas privadas enfrentarão requisitos mais rigorosos para serem incluídas no sistema de seguro de saúde obrigatório (OMS) da Rússia. Os critérios desenvolvidos pelo Ministério da Saúde avaliarão a necessidade regional de assistência médica privada, o volume de serviços prestados e a ausência de violações graves. Especialistas acreditam que essas mudanças visam otimizar os gastos orçamentários e realocar fundos para instituições estatais.

Contexto das Mudanças

O Ministério da Saúde apresentou um projeto de resolução governamental que estabelece novos padrões para organizações médicas privadas que buscam financiamento público no âmbito do OMS. O documento foi publicado no portal regulation.gov.ru.

Atualmente, clínicas privadas, juntamente com as estatais, podem fornecer serviços financiados pelo orçamento. O princípio “o dinheiro segue o paciente” implica pagamento pelo número de cidadãos tratados, o que, em tese, deveria estimular a concorrência e melhorar a qualidade dos serviços. Hoje, cerca de 3 mil clínicas privadas, aproximadamente um terço de todas as instituições médicas, são financiadas através do OMS.

No entanto, se antes bastava às clínicas privadas notificar o fundo territorial do OMS sobre o seu desejo de participar no programa, a partir do final de 2024 a legislação exige a apresentação de candidaturas e a aprovação numa seleção. Os critérios desenvolvidos pelo Ministério da Saúde detalham este novo procedimento.

Critérios de Seleção e Requisitos

A partir de 2026, as clínicas privadas terão de passar por um processo de seleção para ter acesso ao sistema OMS a partir de 2027. Entre os requisitos está a experiência de, no mínimo, três anos para clínicas que operavam exclusivamente no setor privado. Para instituições que oferecem assistência especializada ou de alta tecnologia, será necessária a comprovação do volume de tal atividade — mínimo de 150 casos por ano ou 300 casos em três anos. Além disso, as clínicas não deverão ter tido violações registradas pelo Roszdravnadzor (Serviço Federal de Supervisão em Saúde) nos últimos dois anos, relativas a prazos, qualidade ou condições de prestação de assistência médica no OMS.

Controvérsias e Impacto Potencial

Um dos critérios cruciais, mas ainda ambíguos, é a “existência de necessidade do sujeito da Federação Russa em volumes de assistência médica prestada por organizações médicas privadas”. A metodologia para avaliar essa necessidade não é descrita no projeto, o que levanta questionamentos no setor. Alexey Serebryany, membro do conselho da Associação de Clínicas Privadas de Moscou, comenta: “Não está claro como o próprio Ministério da Saúde regional reconhecerá que suas clínicas subordinadas não estão dando conta. Formalmente, de acordo com as normas, todos os recursos de saúde regionais sempre atendem aos requisitos”. Ele sugere que o endurecimento das regras está relacionado ao desejo do Estado de reter fundos em seus próprios hospitais, em vez de direcioná-los ao setor privado.

É importante notar que, em um contexto de déficit orçamentário, o financiamento da saúde não cresce em termos reais. Yuri Zhulev, co-presidente da União Russa de Pacientes, aponta que os gastos aumentam apenas nominalmente, cobrindo parcialmente a inflação, e o volume de financiamento permanece em 3,4–3,5% do PIB desde 2019. Segundo ele, isso impede a resolução de problemas sistêmicos como a escassez de médicos, baixos salários e déficit de medicamentos, enquanto em países do Leste Europeu esse indicador atinge 5,6% do PIB.