Mariah Carey compartilha a história por trás de seu “secreto” álbum de rock, gravado sob o pseudônimo Chick

Mariah Carey em uma pose expressiva.

Foto: en.wikipedia.org

A carreira da diva pop Mariah Carey guarda uma história curiosa, que remete aos experimentos musicais secretos de Alla Pugacheva, que no final dos anos 70 utilizou o pseudônimo Gorbónos para ocultar sua autoria dos censores. Conhecida mundialmente por seu vocal impecável e seus clássicos natalinos, Mariah, em meados dos anos 90, desenvolveu um grande interesse por um gênero musical que ameaçava desconstruir completamente sua imagem estabelecida.

Em 1995, no auge de sua popularidade, ela gravou secretamente um álbum no estilo rock alternativo e grunge, que era extremamente popular na época, sob o enigmático pseudônimo de Chick.

O álbum recebeu o título de Someone’s Ugly Daughter («A Filha Feia de Alguém») e foi produzido simultaneamente com o icônico disco Daydream, amplamente aclamado por muitos críticos como um dos melhores álbuns de 1995. Daydream, por sua vez, marcou uma transição significativa de Carey das baladas líricas clássicas para os então modernos estilos de R&B e hip-hop.

Mariah Carey revelou que a gravação de «Ugly Daughter» representou uma forma de se libertar do controle estrito de sua gravadora, uma das grandes do setor na época. Era uma chance de explorar um gênero “onde o valor não estava no brilho e na perfeição, mas sim no som cru, na ironia e na rebeldia adolescente”.

Oficialmente, os vocais foram atribuídos a uma amiga de Carey, chamada “Clarissa” (uma clara alusão ao “Gorbónos” de Pugacheva), enquanto Mariah permaneceu nos bastidores, contribuindo com os arranjos de forma discreta. Sua então imagem de superestrela simplesmente inviabilizava o lançamento oficial de um trabalho tão distinto. Carey expressa seu lamento, pois a gravadora “barrou o projeto”.

Por um longo período, a existência deste álbum não passou de um rumor persistente. Somente em 2020, a cantora finalmente trouxe à tona os detalhes em suas memórias, intituladas The Meaning of Mariah Carey («O Significado de Mariah Carey»). Desde então, ela tem feito várias insinuações sobre um possível lançamento, expressando sua frustração em entrevistas de 2022 e 2024 pelo fato de o álbum ainda não ter sido oficialmente disponibilizado.

Recentemente, o interesse em torno deste projeto “secreto” da superestrela ganhou um novo e inesperado impulso. Em uma entrevista recente, Mariah Carey descreveu em detalhes a arte da capa de «Ugly Daughter», adornada com inscrições de batom, e mencionou a música Hermit do álbum. Pouco depois, no programa de Jimmy Fallon, a faixa Prom Queen foi tocada, creditada à “misteriosa” intérprete Chick. Em seguida, a cantora comentou: “Sempre me arrependi de não tê-lo lançado. Naquela época, simplesmente nos impediram.”

Contudo, permanece uma incógnita sobre a posse das gravações master, o que pode ser o principal entrave para seu lançamento. Uma coisa é inegável: a cantora continua “ardentemente dedicada a essa ideia” e não demonstra qualquer intenção de desistir. Para uma artista cuja trajetória foi edificada sobre baladas perfeitamente lapidadas, “reviver” o experimento grunge de 1995 se apresenta como um ato tão audacioso quanto intrigante.

Observadores apontam: se Someone’s Ugly Daughter de fato vir à luz, os fãs terão a rara oportunidade de conhecer uma “outra” Mariah Carey — não a diva polida e glamorosa, mas uma artista “autêntica, vulnerável e ousada”, conforme descrevem os críticos musicais ao avaliar a recente apresentação pública da gravação, três décadas após sua criação.