O Barril de Nossa Preocupação

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Monitorização da Conjuntura

A implementação do décimo oitavo pacote de sanções da União Europeia contra o petróleo e os produtos petrolíferos russos – notadamente a redução do teto de preço do petróleo Urals de US$ 60 para US$ 47,6 por barril – pode resultar numa perda de mais de 4 trilhões de rublos para o orçamento até o final do ano. Esta conclusão é apresentada pela empresa de investimentos Aigenis no seu mais recente relatório, baseando-se em cálculos do Ministério das Finanças da Federação Russa e no seu próprio modelo de avaliação da sensibilidade orçamentária aos preços do petróleo Urals.

Atualmente, a estrutura orçamentária russa está fundamentada em um preço médio anual do Urals de US$ 60 e uma taxa de câmbio de 96,5 rublos por dólar. Contudo, esses parâmetros podem não ser realistas. Cada redução de US$ 1 no preço do barril de petróleo priva o orçamento de aproximadamente 100 bilhões de rublos em receitas de petróleo e gás. O novo teto de preço (US$ 47,6 por barril) pode diminuir as receitas em quase 800 bilhões de rublos anualmente. A estimativa atual para as receitas de petróleo e gás no final de 2025 já foi revisada para baixo, para 6,8 trilhões de rublos (em 2024, foram 11,1 trilhões de rublos). Isso representa uma diferença negativa de 4,3 trilhões de rublos, ou quase 40% em comparação com o ano anterior. A consequência direta é o aumento do déficit orçamentário, que, segundo a previsão da Aigenis, pode se aproximar de 6 trilhões de rublos (cerca de 3% do PIB), apesar das tentativas de compensar a escassez através da desvalorização do rublo e da emissão de títulos federais (OFZ). Atualmente, uma taxa de câmbio próxima de 95 rublos por dólar parece ser uma estratégia orçamentária consciente.

A possível introdução de sanções secundárias por parte dos Estados Unidos pode ser um golpe ainda mais severo para a Rússia. Um projeto de lei, promovido pelos senadores Lindsey Graham e Richard Blumenthal, propõe a imposição de tarifas proibitivas sobre o petróleo e produtos petrolíferos russos para todos os países importadores, incluindo parceiros-chave como Índia, China, Brasil e Coreia do Sul. Tal medida poderia levar a uma queda drástica nas receitas em moeda estrangeira da Federação Russa.

De acordo com a análise de especialistas, em junho de 2025, os volumes de exportação marítima de petróleo da Rússia já haviam diminuído 5% em relação a maio. É notável que mais da metade (56%) dessas entregas são realizadas por petroleiros de países do G7+, o que torna a logística vulnerável a futuras medidas sancionatórias.

Diante da crescente pressão sobre as receitas orçamentárias, o governo provavelmente optará por reduzir o preço base do Urals para US$ 50 por barril em seus cálculos orçamentários. Esta medida ajudaria a diminuir a lacuna planejada e reduzir a necessidade de novos empréstimos. Até o momento, o Ministério das Finanças não comentou possíveis alterações na estratégia orçamentária. A presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, também evitou comentários detalhados sobre a interligação das políticas monetária e fiscal com a taxa de câmbio durante a coletiva de imprensa de 25 de julho, limitando-se a dizer que “não espera surpresas do Ministério das Finanças”.

Por Oleg Sapozhkov