Cientistas da Universidade de Bristol e do Hospital Herlev-Gentofte de Copenhague fizeram uma descoberta notável: a redução dos níveis de colesterol pode diminuir significativamente o risco de desenvolvimento de demência. Esta revelação é o resultado de uma extensa pesquisa, que abrangeu mais de um milhão de pessoas na Dinamarca, Reino Unido e Finlândia, e foi publicada na prestigiada revista Alzheimer’s & Dementia.
Os resultados do estudo são impressionantes: indicam que mesmo uma pequena redução no colesterol sanguíneo, de apenas um milimol por litro, está associada a uma diminuição de 60 a 80 por cento na probabilidade de desenvolver demência. Isso sugere que intervenções relativamente modestas nos níveis de colesterol podem ter um impacto profundo na saúde cognitiva a longo prazo.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores empregaram o método de randomização mendeliana. Esta técnica inovadora permitiu-lhes avaliar o impacto de variações genéticas naturais que mimetizam a ação de medicamentos para baixar o colesterol, como as estatinas. Foi observado que indivíduos com essas características genéticas específicas apresentavam uma incidência notavelmente menor de problemas de memória e distúrbios cognitivos em idades avançadas.
A hipótese é que níveis elevados de colesterol contribuem para o desenvolvimento da aterosclerose, uma condição que compromete o suprimento sanguíneo para o cérebro e, consequentemente, aumenta o risco de formação de microtrombos. Os autores do estudo enfatizam, portanto, que manter um nível saudável de colesterol é uma das principais estratégias para a prevenção de doenças cerebrais relacionadas à idade.
Vale ressaltar que, em pesquisas anteriores, também foi refutada a crença comum de que suplementos de cálcio aumentariam o risco de demência, afastando um mito persistente e focando a atenção em fatores de risco mais cientificamente comprovados, como o colesterol.
