Em 30 de julho, o Federal Reserve dos EUA (Fed) decidiu novamente manter sua taxa de juros principal inalterada, fixando-a em 4,25–4,5%. Essa decisão é impulsionada, principalmente, pela aceleração da inflação, que já é evidente nos dados econômicos recentes e, provavelmente, será sustentada no médio prazo pelos aumentos de tarifas sobre suprimentos de parceiros comerciais chave. Indiretamente, a decisão do regulador também foi influenciada por sinais de expansão da atividade empresarial e um crescimento econômico robusto no segundo trimestre. No entanto, a falta de plena confiança na sustentabilidade de longo prazo dessas tendências, combinada com uma criação de empregos menos ativa do que o esperado, pode levar o Fed a considerar um relaxamento da política monetária já em setembro.

O Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, mais uma vez demonstrou firmeza ao recusar a redução da taxa, justificando-a com o aumento dos preços decorrente da política tarifária de Donald Trump.
Após a reunião de 29 e 30 de julho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve dos EUA decidiu manter a taxa de juros principal em 4,25–4,5% ao ano. Essa taxa permanece em vigor desde dezembro de 2024, refletindo uma abordagem cautelosa do regulador, que busca evitar o agravamento das consequências da política econômica de Donald Trump. O comunicado oficial do Fed ressalta que “a incerteza em relação às perspectivas econômicas permanece alta”. Enquanto isso, Donald Trump continua a criticar abertamente o presidente do Fed, Jerome Powell, exigindo um relaxamento imediato da política monetária (PM). Contudo, apesar das críticas, espera-se que Powell permaneça em seu cargo até maio de 2026, quando seu mandato expira.
Curiosamente, pela primeira vez nos últimos meses, a decisão de manter a taxa inalterada não foi unânime. Dois membros do conselho de governadores do Fed, Christopher Waller e Michelle Bowman, votaram contra, defendendo uma redução de 25 pontos-base. Vale ressaltar que Christopher Waller é um dos possíveis candidatos à presidência do Fed, e sua nomeação seria decidida por Donald Trump.
A relutância do Fed em reduzir a taxa neste momento é explicada, segundo o comunicado, por uma inflação “ligeiramente elevada”.
Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) atingiu 2,7%, subindo de 2,4% em maio. O deflator de despesas de consumo pessoal (PCE), um indicador mais sensível, cresceu para 2,3% em maio (de 2,1% em abril), com o valor de junho a ser divulgado nesta semana. O indicador PCE principal (excluindo preços de alimentos e energia) também aumentou, ficando em 2,7% em maio, contra 2,5% em abril. Em conferência de imprensa após a reunião, Jerome Powell afirmou que o crescimento do PCE pode acelerar ainda mais nos próximos meses.
Vale ressaltar que a rápida elevação dos preços de móveis e vestuário contribuiu significativamente para a aceleração da inflação nos últimos meses.
Assim, as estatísticas atuais refletem os efeitos das altas tarifas, principalmente sobre produtos da China. Os acordos comerciais recentes com outros parceiros também não inspiram otimismo nos analistas: mesmo tarifas mais baixas do que o esperado podem resultar em um aumento notável dos custos de bens para os consumidores americanos. A presidente do Federal Reserve Bank de São Francisco e membro do FOMC, Mary Daly, enfatizou que a dinâmica futura da inflação permanece altamente incerta, impossibilitando, por enquanto, um corte “preventivo” da taxa com base nos efeitos defasados de uma política monetária restritiva.
Os dados recentes sobre a economia americana facilitaram, em certa medida, a justificativa do Fed para sua decisão de julho. Segundo estatísticas do Departamento de Comércio, o PIB dos EUA no segundo trimestre cresceu 3%, superando as expectativas dos analistas da Trading Economics (2,4%), indicando que o nível atual da taxa de juros não inibe o crescimento econômico. Cabe lembrar que o primeiro trimestre registrou uma queda de 0,3% devido a um aumento acentuado nas compras de importação, antecipando tarifas elevadas e a introdução das primeiras restrições setoriais. Entre abril e junho, com uma base de comparação alta, as importações apresentaram uma queda significativa de 30,3%, enquanto a atividade empresarial se expandiu gradualmente devido à intensificação das negociações com vários parceiros comerciais. Os gastos do consumidor também cresceram mais rapidamente no segundo trimestre, com um aumento de 1,4% em comparação com 0,5% em janeiro-março.
No entanto, Jerome Powell esclareceu que, de modo geral, o crescimento da atividade empresarial desacelerou nos primeiros seis meses do ano.
O regulador não prevê uma aceleração desse crescimento no segundo semestre. Analistas que compartilham dessa avaliação sugerem que a complexidade das relações comerciais com parceiros continuará a pressionar o sentimento das empresas e sua disposição para investir. Para apoiar a economia, o Fed provavelmente iniciará o relaxamento da política monetária em setembro. O fator decisivo para essa decisão pode ser a situação do mercado de trabalho. Embora o regulador o considere forte, já existem sinais de uma mudança gradual na tendência. Por exemplo, o crescimento do emprego em junho, de 3,3%, foi o menor desde novembro de 2024, de acordo com dados do Bureau of Labor Statistics dos EUA. O Bureau também observa que a procura por trabalho passou a levar mais tempo, e o número de vagas disponíveis diminuiu. É importante lembrar que o regulador monitora o cumprimento de seus objetivos tanto na estabilidade de preços (meta oficial de inflação de 2%) quanto no emprego máximo.
