O filme “Brat-2” de Aleksei Balabanov, uma obra marcante em sua filmografia.

Foto: Cena do filme
O filme “Brat-2” (Irmão 2) de Aleksei Balabanov é, sem dúvida, um dos meus favoritos. Embora seja uma obra controversa, isso é comum na arte, pois o debate é inerente à sua essência.
Sempre me incomodou a cena em que Danila Bagrov, na vibrante cidade de Chicago, em um clube de rock, pega uma espingarda de um vaso sanitário e atira em quem cruza seu caminho, como se fossem codornizes. Afinal, são pessoas, mesmo que americanas. No entanto, para nosso herói, eles não são vistos como tal; para ele, merecem a morte.
Mais tarde, a terrível morte de Sergei Bodrov, um homem inteligente, perspicaz e maravilhoso que interpretou este herói russo icônico dos anos 90, chegou a me parecer um castigo divino, nada menos. E, na verdade, uma injustiça suprema.
Contudo, é crucial lembrar que se trata de um filme, uma obra de arte, criada pelo genial Balabanov, um cineasta com uma capacidade única de dirigir. As exigências do gênero, de um filme de ação como este, impunham tais escolhas, e o diretor deve ser julgado por suas intenções artísticas. Se não, teríamos que rejeitar grande parte da literatura clássica. Pense em Dostoiévski, com seu Raskólnikov, Fiódor Pavlovitch Karamázov e seus assassinatos, ou mesmo “Os Demônios”. Ou o extremamente culto Anton Pávlovitch Tchékhov; basta reler “Eu Quero Dormir” para sentir o terror. Ou Lev Nikoláievitch Tolstói com sua “Sonata a Kreutzer”, onde um marido mata a esposa por ciúmes triviais. Embora em Tolstói, claro, a questão seja mais complexa, ele, de certo modo, revelou seu desprezo pelas mulheres em geral, e todos, por alguma razão, associaram isso à sua fiel esposa, Sofia Andrevna. A literatura, o cinema, o teatro e a criatividade sempre exploraram a vida e a morte em conjunto, muitas vezes a morte violenta. Será que, ao ler “Crime e Castigo”, cidadãos desavisados sairão por aí a atacar idosas? É sobre isso que estamos falando?
Certa vez, no início da Perestroika, cenas de consumo excessivo de álcool foram censuradas em filmes soviéticos clássicos. Todas aquelas passagens de “Mimino”, “O Destino Irônico…” – simplesmente cortadas e descartadas. Foi assim que se tentou combater a embriaguez, lembram-se? Sim, lembramos. Uma tolice monumental. Graças a Deus, os trechos removidos não se perderam, foram preservados e reinseridos nos filmes anos depois.
Na minha opinião, adulterar uma obra de arte é um erro grave. Mas, claro, a espiritualidade está acima de tudo. Quem poderia discordar disso?
