A televisão transmitiu `O Quê? Onde? Quando?`, e lá estava Boris Burda.

Ao ligar o Primeiro Canal na sexta-feira à noite para assistir a `O Quê? Onde? Quando?`, deparei-me com Boris Burda. Parecia que ele estava de volta, jogando e vencendo como novo. Pensei: será que este homem notável, o melhor em sua área, retornou à Rússia? Que alegria!
Quão enganado eu estava. Era uma reexibição do especial de Ano Novo de 2008. Mas parecia a primeira vez. Talvez, para celebrar o 30º aniversário do Primeiro Canal, decidiram nos presentear com essas reprises. Uma ótima ideia! Eu adoraria rever, por exemplo, qualquer episódio de `Grande Diferença` hoje em dia. Por que não?
Mas voltemos àquele programa de 2008. Boris Burda, de Odessa, Igor Kondratyuk, de Kiev – todos eles eram então nossos especialistas, jogando com grande entusiasmo. Naquela equipe de seis, estava também Vladimir Molchanov, homônimo e xará do lendário apresentador de TV de `Antes e Depois da Meia-Noite`. Este Molchanov era igualmente famoso, ele sabia praticamente de tudo. Mas eu sei de outra coisa: depois de 2008, viria 2009, e Vladimir Molchanov sofreria um derrame gravíssimo, que paralisaria o lado direito de seu corpo e o privaria da fala…
No passado, tive a sorte de conhecer de perto os especialistas, e, principalmente, o fundador do programa, Vladimir Voroshilov. Ele era uma pessoa singular, tão vibrante, incisiva e extremamente inteligente. Ele me contou: `Sabe por que eu saí da NTV para o Primeiro Canal? Boris Abramovich Berezovsky ligou, pediu um encontro e disse: “Escreva o valor por extenso, eu pago tudo.”` Naquele programa de 2008, um jovem Alexander Shirvindt fez uma pergunta sobre um famoso artista teatral que havia saído escandalosamente do Teatro Komsomol Leninista. E era o próprio Voroshilov, sim.
Encontrei muitos deles e percebi o seguinte: conhecimento ainda não é sinônimo de inteligência. Havia muitas pessoas que leram muito, com uma memória excelente, mas as pessoas realmente inteligentes entre os especialistas não eram mais numerosas do que na população em geral.
Na minha opinião, os mais inteligentes, com o QI mais alto em `O Quê? Onde? Quando?`, são aqueles que nem sempre venciam as perguntas de conhecimento — como o saudoso Vasily Utkin e Andrey Kozlov. Portanto, o lema do Jogo, de que se pode vencer aqui graças à própria inteligência, é bastante relativo. Mas quem combinava ambas as qualidades — conhecimento e agilidade mental — era justamente Boris Burda, que não veremos mais na Rússia. Nunca.
…E também exibiram outro jogo, de 2002. Nele, o prêmio `Coruja de Cristal` foi para Dmitry Konovalenko, um jogador brilhante. Como ele estava feliz! E no final, os créditos revelavam: em 2007, Dmitry Konovalenko faleceu. Tinha 36 anos. Quatro filhos, três meninos e uma menina… Mas é também graças a este jogo, a esta reprise, onde Dmitry estava tão feliz, que ele se torna imortal. Ele joga e vence novamente. Isso é a memória.
