Para o aniversário de Georgy Sviridov, o compositor Alexei Syumak conseguiu restaurar e apresentar ao público sua obra esquecida e inacabada, “Sete Canções sobre a Rússia”, baseada em poemas de Alexander Blok. Esta estreia mundial, realizada na sala de concertos Zaryadye, uniu o passado e o presente, revelando uma incrível história de renascimento do patrimônio musical.

No final da década de 1960, Georgy Sviridov iniciou a criação de uma oratória, inspirado pela poesia de Alexander Blok, compondo a primeira canção: «Sub a muralha, na vala não cortada…». Em meados da década de 1970, a primeira versão da obra, intitulada «Cinco Canções sobre a Rússia», estava pronta, expandindo-se posteriormente para sete números. O compositor revisitou a oratória várias vezes, alterando a forma, desenvolvendo e repensando-a, mas nunca a concluiu definitivamente. Aparentemente, o tempo para a oratória «Sete Canções sobre a Rússia» ainda não havia chegado – ele viria mais tarde, exigindo uma série de eventos para sua realização completa.
Em 2022, preparando-se para um concerto do Dia da Vitória, o compositor Alexei Syumak orquestrou outra obra de Sviridov, `Rússia Partida`. O resultado impressionou tanto o sobrinho de Georgy Vasilyevich, Alexander Belonenko, que ele descobriu uma coincidência notável: Syumak havia escolhido intuitivamente a mesma instrumentação que o próprio Sviridov, de acordo com os arquivos preservados. A busca de Belonenko por um compositor capaz de completar as obras inacabadas do clássico foi bem-sucedida, pois Syumak demonstrou uma profunda compreensão do estilo de Sviridov. Assim, a tarefa de restaurar a oratória `Sete Canções sobre a Rússia` foi confiada a Alexei Syumak.

O manuscrito da oratória, entregue a Alexei, consistia em quase quatrocentas autógrafos, fragmentos de partituras, esboços de melodias e outros trechos musicais, muitos dos quais existiam em várias versões, exigindo uma seleção cuidadosa. O compositor enfrentou uma tarefa colossal: decifrar tecnicamente as notas e a caligrafia de Sviridov para reproduzir fielmente sua intenção original. O principal desafio, no entanto, era não introduzir sua própria visão, mas recriar a obra soando na voz autêntica de seu autor falecido. Foi um empreendimento incrivelmente complexo e responsável.
No ano do centenário de Georgy Sviridov, o imenso trabalho de restauração da oratória foi concluído. No âmbito do ciclo de concertos `Sviridov-110`, ocorreu a tão esperada estreia da obra que, apesar de ter sido criada há décadas, soou surpreendentemente relevante e contemporânea, graças ao trabalho meticuloso de Alexei Syumak.
No palco da sala de concertos Zaryadye, esta oratória renascida foi apresentada pela Orquestra Sinfónica Estatal de Moscovo e pelo Coro A.V. Sveshnikov, com a participação dos solistas Polina Shamaeva e Daniil Akimov. A regência esteve a cargo de Ivan Rudin.
Para sua oratória, Sviridov selecionou alguns dos poemas mais profundos e por vezes trágicos de Alexander Blok sobre a Rússia, incluindo obras como «O rio se estendeu» (do ciclo «No Campo de Kulikovo»), «O céu de Petrogrado turvou-se com a chuva» e «Junto à vala comum». Estes textos criam a sensação de que Sviridov antecipou eventos futuros. No entanto, apesar da aparente melancolia das linhas escolhidas, sua mensagem carrega um significado diferente. O compositor escreveu: «A Rússia é um país de espaços, um país de canção, um país de tristeza, um país menor, um país de Cristo». Nestes contrastes enumerados por Sviridov, reside a ideia do triunfo da Luz e do Amor, e é para isso que sua música nos convoca.
