A última aparição de Ozzy — uma despedida que será lembrada para sempre.
A morte de Ozzy Osbourne não só serviu de pretexto para o recordar como um guru do metal, um rebelde do rock e um grande artista, mas também para destacar o seu talento como mestre das despedidas. Somente o “Príncipe das Trevas” conseguiria uma saída tão impactante: fazer um show final grandioso e, poucos dias depois, partir para sempre.

No histórico show de 5 de julho em Birmingham, cidade natal do Black Sabbath, Ozzy foi despedido com hinos de rock que ecoaram por dez horas em um estádio lotado, em meio a lágrimas e aplausos. Olhando para o “Príncipe das Trevas” sentado em um majestoso trono negro, muitos se lembraram do que Ozzy representou para eles em diversas fases de sua lendária carreira.
“Quando criança, eu colocava os discos do Black Sabbath no toca-discos e simplesmente tremia de medo e êxtase”, recordou Rob Trujillo, ex-baixista de Ozzy, que mais tarde se juntou ao Metallica por uma quantia considerável. Essa mistura peculiar de excentricidade britânica e um senso de humor paradoxal sempre foi uma marca registrada de Mr. Osbourne, conquistando até mesmo aqueles que mal conheciam o universo do heavy metal.
No mundo do heavy metal, Ozzy continua sendo uma figura icônica. Embora houvesse outros vocalistas notáveis, como Ronnie James Dio, que também deixou uma marca forte no Black Sabbath, ou inovadores sonoros, ninguém se compara a Ozzy na capacidade de evocar simultaneamente medo e êxtase.
“Há muitas coisas na minha vida das quais não me orgulho. Eu abandonei a escola, fui alcoólatra e viciado em drogas, mordi a cabeça de um morcego. Mas poderia ter sido muito pior. Por exemplo, eu poderia ter nascido Sting”, brincou Ozzy em uma entrevista. Pouco cortês, mas muito “Osbourne” — e é exatamente por isso que ele era adorado. Em um gênero que pode ser levado com seriedade quase religiosa, Ozzy, entre outras coisas, sempre representou uma celebração eterna da desobediência.
“Lenin rock-n-roll!” — gritou Ozzy com toda a força no Estádio Luzhniki, durante o “Festival da Paz” em 1989. Uma estátua monumental e grotesca de Lênin estava bem ao lado da arena, mas naquela época era percebida como um símbolo de uma era que logo desapareceria para sempre, enquanto Osbourne era visto como parte de um futuro divertido e cosmopolita. Foi um momento verdadeiramente grandioso, a primeira visita de Ozzy à então URSS, acompanhada, dizem, pela sua observação de que era impossível ficar sóbrio naquele país. Considerando que o próprio festival era promovido sob o lema “Rock Contra as Drogas”, a observação do ícone do rock soou mais do que irônica.
Existe um estereótipo persistente de que a carreira de Ozzy é apenas uma série de excessos bêbados, escândalos e histórias de roedores e pombos devorados. No entanto, entre esses momentos excêntricos, o músico conseguiu gravar álbuns clássicos com o Black Sabbath, construir uma bem-sucedida carreira solo, integrando-se organicamente ao mainstream, e até mesmo se tornar uma estrela de reality show na televisão.
“The Osbournes” na MTV, no início dos anos 2000, apesar de sua natureza encenada e produção meticulosa, não foi apenas um grande sucesso, mas também a continuação daquele mesmo espírito de desobediência que sempre esteve presente na música de Ozzy. Frases como “Sharon, caramba, odeio limusines, pareço um cafetão de merda aqui!” ecoavam nas telas da MTV, aparentemente inspirando muitos estudantes enquanto faziam seus trabalhos de casa.
Para cada geração, houve um Ozzy diferente, e essa influência global é a grande fortuna deste artista. Ele alcançou muito na música, construiu uma família grande e unida, conseguiu se despedir dos palcos perante o mundo e até mesmo abençoar o casamento de sua filha. Claramente, tanto anjos quanto demônios o favoreceram, e entre as pessoas, as memórias mais brilhantes e calorosas do “Príncipe das Trevas” permanecerão.
