A redução da participação da Alemanha nas exportações globais não se deve apenas à perda de competitividade dos produtos alemães, resultado do aumento da concorrência e dos elevados custos de energia, mas também à diminuição da demanda global por categorias inteiras de bens que o país fornece aos mercados externos. Essa é a conclusão de um estudo recente de economistas do Banco Federal Alemão (Bundesbank), que propõem um novo método para rastrear o que influencia a atratividade dos produtos de exportação dos países. Em um cenário de guerra comercial, a pressão sobre a competitividade pode ser agravada tanto pela demanda decrescente quanto pela oferta que perde qualidade e encarece.
Abordagem Analítica
Em um artigo para o centro de pesquisa europeu CEPR, os economistas do Bundesbank, Philipp Maenner e Arne Nagengast, analisam os fatores que fortalecem e enfraquecem a competitividade das exportações de diferentes países. A base de sua análise é o estudo da dinâmica da oferta de produtos de exportação de cada estado e da demanda externa por eles. Os pesquisadores propõem o desenvolvimento desse método, decompondo os fatores relacionados à oferta e à demanda. Eles investigam se a exportação de um país está focada em produtos cuja demanda está crescendo (efeito da demanda por produto) ou em parceiros comerciais que estão expandindo suas compras (efeito da demanda do parceiro). Além disso, eles analisam como a competitividade do país evoluiu dentro de categorias de produtos específicas (efeito da oferta do produto) ou em mercados de exportação específicos (efeito da oferta do parceiro). Isso permite determinar se as mudanças na competitividade dos países são causadas por alterações em setores específicos, em mercados específicos, ou por ambos.
Causas do Declínio na Alemanha
Utilizando essa abordagem, os pesquisadores discutem as razões para a redução gradual da participação da Alemanha nas exportações globais, observada desde 2017. A dinâmica, conforme os cálculos apresentados, é em grande parte explicada pelos fatores de oferta (efeito da oferta do produto): em seis anos, a competitividade dos produtos alemães caiu em mais de 75% das categorias. Em particular, os economistas registram uma diminuição na atratividade das indústrias alemãs de alta tecnologia, bem como dos produtos da indústria química e metalúrgica, devido aos altos custos de energia, à complexidade das cadeias de suprimentos e à crescente concorrência da China. No entanto, a análise também aponta problemas do lado da demanda (efeito da demanda por produto), já que as exportações alemãs estão focadas em bens (incluindo automóveis e tecnologia aeroespacial) cuja demanda global tem diminuído nos últimos anos.
Impacto das Tarifas Americanas
As tarifas americanas podem exercer uma pressão adicional sobre a competitividade dos produtos alemães. Atualmente, as tarifas sobre automóveis europeus (um dos principais itens de exportação da Alemanha) são de 27,5%. A redução dessas tarifas para 15%, semelhante a outros produtos, não é garantida e depende diretamente da disposição da Comissão Europeia em zerar as tarifas sobre todos os produtos industriais dos EUA e em fazer outras concessões. Mesmo tarifas de 15% tornam parte das remessas de automóveis alemães para os EUA não lucrativas, e a busca por novas fontes de demanda exigirá tempo e dinheiro.
A Situação da China
Curiosamente, a participação da China nas exportações globais não aumentou significativamente entre 2017 e 2023. Os produtos chineses (incluindo alta tecnologia), com os quais o país entrou no mercado global, superavam os de outros países em qualidade e frequentemente permaneciam mais baratos, fortalecendo assim a competitividade da oferta. No entanto, esse crescimento foi quase totalmente neutralizado por fatores de demanda desfavoráveis, relacionados ao efeito da demanda do parceiro. Isso ocorreu porque o esforço para diversificar as exportações, observado no país desde o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, resultou no redirecionamento de parte da produção para países com menor poder de compra do que, por exemplo, nos EUA. Essa última tendência pode se intensificar devido ao contínuo confronto tarifário entre a China e os EUA.
