No Fórum Econômico Oriental (EEF) em Vladivostok, a atenção foi tradicionalmente dada aos desafios enfrentados pelas pequenas e médias empresas (PMEs). A alta taxa de juros, a incerteza na política fiscal e a persistente burocracia foram apontadas como os principais obstáculos.
Especialistas da sessão enfatizaram que, em um ambiente onde o estado apoia seletivamente apenas setores estrategicamente importantes, como as startups de alta tecnologia, as PMEs devem se concentrar em aumentar sua própria eficiência, buscar novos mercados e atrair investimentos não orçamentários.
Alexander Kalinin, chefe da “Opora Rossii” (Pilar da Rússia), observou que, nos últimos seis anos, as pequenas empresas demonstraram um crescimento impressionante, em grande parte devido ao desenvolvimento do Extremo Oriente. Contudo, em 2025, houve um declínio no índice de sentimento empresarial das PMEs (RSBI), e sua dinâmica futura depende diretamente das decisões do governo. Em julho, o RSBI atingiu o ponto crítico de 50, flutuando na fronteira entre declínio e crescimento.
Altas Taxas de Juros e Incerteza Fiscal
Um dos principais problemas para as PMEs continua sendo as altas taxas de juros dos empréstimos. Segundo os cálculos de Kalinin, devido a isso, as empresas russas perdem anualmente cerca de 8 trilhões de rublos. Nesse sentido, o chefe da “Opora” expressou esperança por uma redução significativa da taxa de juros do Banco Central na próxima reunião de 12 de setembro. As discussões sobre uma possível revisão dos benefícios fiscais e do IVA para pequenas empresas também geram tensão adicional, contradizendo as promessas das autoridades de estabilidade do sistema tributário até 2030, após seu recente “reajuste”.
Boris Titov, representante especial do presidente, também abordou a questão das mudanças fiscais desfavoráveis, observando que “apenas começamos a avançar, e novamente a questão das mudanças fiscais que não beneficiam os negócios foi levantada”. Ele apontou para a persistência de obstáculos burocráticos locais, apesar das reformas administrativas. Pavel Snikkars, CEO da “T Plus”, deu um exemplo prático:
“Mal concedemos uma propriedade a um empresário — e já chega um órgão de controle. Na semana seguinte, você tem 12 intimações que não existiam nos últimos 10 anos.”
Estratégias de Apoio e Crescimento
Os representantes do setor bancário, por sua vez, focam na diversidade das medidas de apoio. Irina Zhimerina, do PSB, destacou o suporte à exportação, o desenvolvimento de infraestrutura para cooperação com grandes empresas e corporações estatais, bem como subsídios para inovação e digitalização como direções prioritárias.
Ivan Podberezhnyak, presidente do conselho do MSP Bank, confirmou que o apoio aos negócios é seletivo. Ele explicou que isso se deve ao desejo do estado de estimular os setores que proporcionam o maior efeito multiplicador para a economia, como as pequenas empresas de tecnologia, que contribuem para a criação de novos empregos.
PMEs mantêm o volume de fundos atraídos graças às garantias estatais.
Para atingir a meta de participação das PMEs no PIB (atualmente em 22%), essa abordagem seletiva é justificada, segundo Podberezhnyak. Ele também enfatizou a importância de as pequenas empresas explorarem fontes alternativas de financiamento, como o mercado de títulos e os ativos financeiros digitais, além dos fundos orçamentários tradicionais. O chefe do MSP Bank está convencido de que as empresas precisam “passar para a próxima fase”, expandir seus mercados e “explorar novos horizontes”.
