Tensões Comerciais Agravam Desafios da Deflação na China
A guerra comercial entre EUA e China pode complicar os esforços de Pequim para combater a deflação no país, de acordo com uma análise do Brookings Institute americano. Entre os fatores que contribuem para a queda dos preços no mercado interno chinês estão a redução da receita dos exportadores, que são forçados a complicar as cadeias de suprimentos para enviar produtos aos EUA e a baixar os preços para garantir demanda em novos mercados. Além disso, apesar da aparente resistência da China às políticas comerciais americanas, os consumidores chineses estão atualmente pessimistas e preferem poupar uma parte significativa de sua renda em vez de gastá-la.
No confronto comercial com os EUA, a China parece, até agora, estar em vantagem. No entanto, o modelo de crescimento de sua economia, fortemente dependente das exportações, revelou-se bastante vulnerável às tarifas, segundo a nota analítica do Brookings Institute. Especificamente, os esforços para resolver os problemas emergentes dificultam a luta das autoridades chinesas contra a deflação.
Em junho, o crescimento dos preços ao consumidor na China foi de mínimos 0,1% em termos anuais — o que representa o primeiro pequeno aumento desde janeiro, mas os analistas não esperam uma consolidação dessa tendência. A deflação na produção, por sua vez, acelerou. Os preços dos produtores (índice PPI) em junho contraíram 3,6%, o maior declínio desde julho de 2023.
Conforme destacado no memorando, as exportações da China nos primeiros seis meses do ano aumentaram, apesar de uma notável redução (10,9%) nas entregas para os EUA. De janeiro a junho, o país aumentou suas exportações em 5,9%, totalizando US$ 1,81 trilhão. Isso se deve principalmente ao fato de empresas chinesas terem intensificado os envios para países com tarifas mais baixas, para posterior reenvio das mercadorias aos Estados Unidos. Trata-se, principalmente, de países da ASEAN (as exportações para eles cresceram 13% nos primeiros seis meses de 2025), incluindo Tailândia e Vietnã. A reestruturação da logística e a inevitável complexidade das cadeias de suprimentos custam mais para as empresas do que a entrega direta, resultando em uma redução da receita. Isso, por sua vez, diminui a disposição das empresas em expandir seus gastos e, de fato, torna-se um fator deflacionário.
Além disso, a China está rapidamente expandindo suas entregas para novos mercados, bem como para países que até agora compravam da RPC apenas categorias específicas de produtos. A principal vantagem competitiva, neste caso, é o preço mais baixo dos produtos chineses, conforme apontado pelo Brookings Institute. Este passo forçado permite que as empresas se estabeleçam mais rapidamente no país e garantam a demanda. Isso é especialmente importante, considerando que cada vez mais empresas chinesas operam sob o conceito `Just in time` (JIT), que implica em abandonar o armazenamento de produtos intermediários em favor de compras apenas para necessidades específicas. Assim, a redução dos preços dos produtos exportados cria um impulso deflacionário adicional na RPC.
A guerra comercial, entre outros fatores, exerce uma influência significativa no humor dos consumidores. Apesar de observadores externos tenderem a perceber a posição atual da RPC na guerra comercial como uma `vitória intermediária` (as tarifas americanas foram reduzidas sem sérias concessões recíprocas), a confiança do consumidor continua em declínio. Desde o início do segundo mandato presidencial de Donald Trump, o índice correspondente tem flutuado perto de seus mínimos de três anos. Vale ressaltar que a atividade do consumidor na RPC, após a pandemia de COVID-19, ainda não se recuperou — a população continua preferindo economizar uma parte considerável de sua renda em vez de gastá-la. Agora, paralelamente à luta contra os problemas sistêmicos da economia (incluindo a queda no mercado imobiliário), as autoridades chinesas terão que mitigar os efeitos das dificuldades conjunturais.
