Cientistas americanos alcançaram um progresso significativo na luta contra o HIV, desenvolvendo um método que pode proporcionar proteção por muitos anos a crianças através de apenas uma injeção, administrada logo após o nascimento. De acordo com um estudo publicado na revista Nature, se a terapia genética for introduzida em recém-nascidos nas primeiras semanas de vida, seus organismos integrarão o tratamento, permitindo que as células produzam continuamente anticorpos contra o HIV por vários anos, sem a necessidade de doses repetidas.
Essa abordagem inovadora já foi testada com sucesso em primatas. Os indivíduos que receberam a terapia durante o primeiro mês de vida demonstraram proteção contra o vírus por pelo menos três anos. No entanto, a eficácia diminuiu se o tratamento fosse administrado mais tarde, entre 8 e 12 semanas de idade, pois o sistema imunológico, nesse caso, mostrava menor tolerância e rejeitava a intervenção genética.
A base dessa tecnologia é o uso de um vírus AAV (vírus adenoassociado) inofensivo, que atua como um vetor, entregando o gene necessário diretamente às células musculares. Essas células modificadas funcionam então como microfábricas, sintetizando continuamente bNAbs (anticorpos de neutralização ampla) — poderosos anticorpos eficazes contra diversas cepas do HIV. Essa solução resolve um problema crítico: anteriormente, para manter a proteção, eram necessárias injeções de anticorpos regulares e múltiplas, o que representava um sério obstáculo, especialmente para regiões com recursos médicos limitados.
Os pesquisadores enfatizam a urgência de tais soluções: diariamente, cerca de 300 crianças em todo o mundo são infectadas pelo HIV, principalmente através da amamentação. Uma única injeção no momento do nascimento pode ser a salvação para bebês em regiões com acesso limitado à saúde, particularmente em países africanos, onde se concentra até 90% de todos os casos pediátricos de HIV.
Vale ressaltar que, anteriormente, pesquisadores já haviam feito progressos no desenvolvimento de tratamentos para o HIV, incluindo a ativação de reservatórios virais latentes nas células.
