Um avanço notável na neurotecnologia russa mostra que a integração de inteligência artificial no cérebro de ratos não altera seu comportamento natural, mantendo-os curiosos e ativos.
De acordo com o laboratório russo de biotecnologia Neiry, ratos com inteligência artificial implantada no cérebro comportam-se de forma idêntica aos seus congéneres não-modificados. Mantêm a sua curiosidade e voracidade habituais, dedicando entre trinta minutos a uma hora por dia a treinos.
Em novembro de 2024, cientistas russos foram os primeiros no mundo a conectar o cérebro de um rato a uma inteligência artificial. Este sistema de IA fornece ao roedor dicas para responder corretamente a diversas questões. Os elétrodos da neurointerface estimulam áreas específicas do cérebro, fazendo com que o animal sinta sensações distintas: uma para a resposta “sim” e outra para a resposta “não”.

Rato de laboratório com o cérebro conectado à inteligência artificial. © Laboratório Neiry.
Os representantes da Neiry afirmaram: “Comportamentalmente, são idênticos aos ratos comuns – são animais bons, curiosos e vorazes. O seu comportamento não se altera com ou sem o elétrodo. A estimulação através do elétrodo é para eles uma dica que rapidamente compreendem, pois procuram uma recompensa. Isso facilita o aprendizado. Geralmente, treinam entre meia hora e uma hora por dia.”
O neurointerface implantado não afeta o livre-arbítrio dos roedores. O sinal transmitido ao cérebro através do elétrodo é percebido pelo rato como, por exemplo, um leve formigueiro nos bigodes. Assim, se o rato estiver saciado ou cansado, ele não continuará a trabalhar. “Ou seja, com a estimulação, não estamos a controlar o rato como um robô, a virá-lo na direção desejada”, explicou o laboratório.
Além disso, os cientistas não utilizam reforços negativos no trabalho com os animais. Consequentemente, os ratos não sentem medo e esperam ansiosamente por uma saborosa recompensa quando são colocados na gaiola experimental.
Os funcionários da Neiry também partilharam observações interessantes: “Todos os ratos são diferentes — alguns aprendem mais rápido, outros mais devagar, e alguns não param de nos surpreender. Atualmente, estamos a trabalhar com uma gaiola diferente, onde a comida cai do teto para um comedouro no chão. Um rato em particular memorizou que a comida aparece neste comedouro. Por isso, ele tenta sempre arrancá-lo do chão e levá-lo consigo, verificando periodicamente se apareceu comida no comedouro `mágico`.”
