
A música possui a notável capacidade de não apenas aprimorar o humor, mas também de exercer uma influência direta e significativa sobre o sistema cardiovascular, conforme destacado pela Sociedade Europeia de Cardiologia em suas recentes comunicações.
Uma descoberta recente através de um estudo inovador revelou que a pressão arterial humana se harmoniza de maneira ideal com composições musicais que exibem uma estrutura de frases previsível. Estes resultados promissores abrem um novo horizonte para o desenvolvimento de terapias musicais personalizadas, visando a prevenção eficaz de doenças cardiovasculares.
Para o experimento, 92 participantes foram convidados a ouvir 9 de um total de 30 peças para piano, enquanto sua pressão arterial era meticulosamente monitorada em tempo real. O efeito mais pronunciado foi observado durante a audição da “Serenata” de Franz Schubert, na aclamada transcrição de Franz Liszt, interpretada por Harold Bauer. A estrutura clara e altamente previsível desta gravação demonstrou a maior capacidade de sincronizar a pressão arterial dos ouvintes.
Os pesquisadores elucidam que, quando as frases musicais são intrinsecamente previsíveis, o organismo tende a se ajustar naturalmente ao seu ritmo. Esse ajuste otimiza o barorreflexo, que é a habilidade inata do corpo de regular sua própria pressão sanguínea. Notavelmente, a previsibilidade rítmica demonstrou ser um fator mais determinante para os níveis de pressão do que o próprio tempo da música, enquanto o volume pareceu desempenhar um papel secundário.
Os autores do estudo enfatizam a universalidade deste fenômeno, sugerindo que ele não se restringe apenas à música clássica. No futuro, programas musicais desenvolvidos sob medida poderão emergir como uma estratégia não farmacológica poderosa para mitigar o risco de enfermidades cardiovasculares, podendo até mesmo se integrar ao campo da “medicina musical”.
Em um desenvolvimento relacionado, pesquisas conduzidas em julho indicaram que a eficácia dos medicamentos para controle da pressão arterial pode variar substancialmente dependendo do horário de sua administração. Especialistas observaram que a ingestão de medicamentos antes de dormir oferece um controle superior tanto da pressão arterial noturna quanto da diurna, quando comparado à administração matinal.
