Rússia reduz pagamentos em dólar e euro a um mínimo recorde

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Em julho deste ano, a Rússia diminuiu significativamente o uso do dólar americano e do euro europeu em suas operações comerciais, atingindo um mínimo histórico. Segundo dados do Banco Central, a participação dessas moedas nas importações foi de 14,6% e nas exportações de 13,1%. Isso reflete uma tendência geral de desdolarização e deseuroização do comércio exterior russo, impulsionada por fatores geopolíticos e econômicos.

Mudança no mercado de combustíveis

A substituição do dólar e do euro é particularmente notável no mercado de combustíveis. A participação do dólar nos pagamentos pelo petróleo russo caiu para um mínimo recorde de 5%, uma queda drástica em relação a apenas três anos atrás, quando a moeda americana era usada em mais da metade de todas as transações. Atualmente, mais de 90% dos pagamentos por matérias-primas e combustíveis são realizados em moedas nacionais de países amigos e em rublos. Desse total, 67% dos pagamentos são feitos em yuan chinês, para o qual até mesmo as refinarias indianas, que inicialmente insistiam no uso de rupias, migraram.

Quase um quarto das transações de petróleo russo são realizadas em rublos. Vladimir Chernov, analista da Freedom Finance Global, observa um crescimento significativo nos pagamentos em rublos: se em meados de 2024 o rublo representava cerca de 40% das operações de exportação, no segundo trimestre de 2025 esse número aumentou para 53%. Assim, a participação dos pagamentos em rublos cresceu aproximadamente 12-13 pontos percentuais em um ano, e o desaparecimento quase completo do euro do mercado confirma o fortalecimento da posição do rublo no comércio internacional da Rússia.

Peculiaridades regionais e o papel crescente do yuan

Apesar do abandono geral das moedas ocidentais, nos pagamentos com o continente americano e a Europa, a participação do dólar e do euro ainda é significativa — 51,8% e 26,1%, respectivamente. No entanto, no comércio com a Ásia, esse índice caiu para 11,1%, e nas entregas para a África e os países do Caribe, as moedas ocidentais são usadas muito raramente (2,9% e 2,2% respectivamente), mostrando uma clara preferência por alternativas.

O rublo continua sendo a principal moeda de pagamento para a Rússia. Embora em julho sua participação nas exportações tenha diminuído ligeiramente (em 1,2 p. p.), ainda excede a metade em todas as regiões, exceto na América (46,9%). Nas importações, a participação do dólar e do euro diminuiu para 14,6%, enquanto o rublo fortaleceu sua posição, atingindo 55,1%.

Especialistas acreditam que o papel do yuan continuará a crescer. Stanislav Mitrakhovich, da Universidade Financeira, enfatiza que o yuan, sendo a moeda de uma superpotência econômica, é mais líquido, mais fácil de converter e é apoiado por uma infraestrutura desenvolvida de bancos chineses, o que o torna atraente para muitos importadores asiáticos. As previsões indicam que até o final de 2025, a participação do dólar nas exportações pode cair para 10%, com parte dessa porcentagem sendo transferida para o yuan e parte para o rublo.

A complexidade das transações em várias etapas, onde o petróleo russo pode ser revendido por meio de intermediários que utilizam diferentes moedas em distintas fases, dificulta a contabilidade precisa. No entanto, a tendência geral de substituição das moedas ocidentais é evidente. A participação do euro no volume total de transações com petróleo russo diminuiu drasticamente de 30% em 2022 para 1%. Os especialistas avaliam positivamente essa tendência, mas expressam preocupações com uma possível hegemonia do yuan em detrimento de outras moedas.

Impacto no câmbio do rublo

O aumento da demanda por rublos devido às operações de exportação é um dos fatores que contribuem para o fortalecimento da moeda russa. No entanto, segundo analistas, esse impacto não será muito forte, pois um fator mais significativo para o enfraquecimento do rublo é o atual ciclo de flexibilização da política monetária do Banco Central, que visa estimular a economia.